Mar 25, 2009
Mar 23, 2009
valeurs sûres
Défiant cet ãge sinistre où tout se rétrécit,
le popotin de l'hippopotame, lui, grandit.
le popotin de l'hippopotame, lui, grandit.
Libellés :
français
Mar 21, 2009
family ties
In each of zeroglotte's languages, there is a word for somebody who loses her parents: orphan, orpheline, orfã, Waise. And there is for one what you become if you lose your spouse: widower, veuf, viuvo, Witwer.
But if your child dies, there is no word for that.
Of course you have only one set of parents, and, at least traditionally, only one spouse, while you used to have a whole bunch of children and it was expected that not all of them would grow into adults.
With so many neologisms of all kinds, nobody wants to invent that word. Keep harm out of the way. Nobody needs it.
But if your child dies, there is no word for that.
Of course you have only one set of parents, and, at least traditionally, only one spouse, while you used to have a whole bunch of children and it was expected that not all of them would grow into adults.
With so many neologisms of all kinds, nobody wants to invent that word. Keep harm out of the way. Nobody needs it.
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english,
missing words
Mar 20, 2009
Flora sino-tuga
Com mímicas e palavras, tento explicar a fruteira chinesa o que é um espargo. Ela não vê. Insisto, uma cliente mete-se na conversa. Nada. De repente, a sua cara ilumina-se. " Sim! Fininho! Parecido bambu!".
Isto! Era só encontrar a imagem certa.
Aparte: Assim em geral, os donos das lojas chinesas, de 300 e supermercados alimentares, não falam português. Os que compram e vendem legumes e fruta, coisas que os obrigam a negociar com gente de cá, obviamente, falam.
Isto! Era só encontrar a imagem certa.
Aparte: Assim em geral, os donos das lojas chinesas, de 300 e supermercados alimentares, não falam português. Os que compram e vendem legumes e fruta, coisas que os obrigam a negociar com gente de cá, obviamente, falam.
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ler o mundo,
português
walking to the movies
On the sidewalk by the ruined brewery, a colt-legged teenager and two giggly girls, tied by a shared ipod, play make-do soccer with an inflated condom.
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ler o mundo
Mar 19, 2009
Ilhas Assolapadas 8
Outra vez o mesmo problema: Emília, ou Antónia. Uma alma protegida pelas suas sobrancelhas. Tem as sobrancelhas mais ferozes da Península Ibérica e a alma mais acolhedora. Na adolescência, sofrendo da pouca popularidade que o seu ar eternamente carrancudo lhe infligia, resolveu ir a estéticista, depilar o assunto até uma linha mais amigável. Aliás fomos todas. Ela saiu dali bela que nem uma princesa asiática (as das sobrancelhas curvadas como antenas de insecto) e...foi um desastre. Desatou sem querer a partir corações as dúzias, passava numa aflição dum namorado ao outro na ânsia de não deixar ninguém abandonado. Um desastre. Mesmo. Quando o pelo voltou a crescer, foi um alívio.
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assolapadas,
português
Ilhas Assolapadas 6 e 7
Difícil. Antónia? Emília? Certo é que tem uma irmã mais nova, a Suzana, que não pára quieta.
Suzana, claro.
Libellés :
assolapadas,
português
Mar 18, 2009
Ilhas Assolapadas 4
E esta é a Mariana. É tão tímida, tão tímida, tão tímida, que acaba por ser quase sempre ela à dizer as coisas que ninguém tem coragem para dizer. Claro que precisa de alguma ajuda, e a gente costuma dizer que há duas Marianas. A que chega, e a que vai embora.
O que se passa pelo meio é que interessa. Há anos que Filipe repete que não tem paciência, que já não sabe o que está a fazer com ela. Mas a gente sabe.
Libellés :
assolapadas,
português
Ilhas Assolapadas 3
Agora o Filipe. Um retrato velho, ainda ninguém sabia do piquenique, nem das suas causas. A Mariana acha que foi tirado antes deles se encontrarem, não se lembra dele com tanto cabelo :). Filipe só sabe que comprou aquele pullover nos Pirineus, e que foi lá com ela. Portanto...
Libellés :
assolapadas,
português
Mar 17, 2009
Ilhas Assolapadas 2
E este é o Bernardo, tinha a Antónia acabado de o convidar para o pique-nique. Desatou a cantar uma rockalhada de que nem se lembrava que sabia de cor. Coisas de praia. Depois foi à Net procurar receitas de petiscos que fosse de certeza o único a levar.
Libellés :
assolapadas,
português
Ilhas Assolapadas - 1
A sair penosamente dos pântanos infectos, resolvi acostar às Assolapadas pela porta do cavalo. Um retrato do Nuno duas semanas antes do pique-nique, quando soube que não tinha conseguido o emprego. Dez minutos depois ligou a Antónia a dizer que ela, sim, tinha sido escolhida, e ele ficou contente para ela.
Libellés :
assolapadas,
português
Mar 15, 2009
mais gripo-filosófia fundamental
A gripe reduziu-me os sentidos ao básico (não confundir com o essencial) de tal forma que agora não mo posso esconder mais: esta vida de intelectualismo emancipado desafreado foi só loucura de juventude. Ao fim e ao cabo sou mulher-bicho, daquelas que se passeiam no paleolítico, e nos textos da Igreja: um animal sensual e pouco mais. Pensar para quê? O cérebro serve mas é para descodificar toque olfacto sabor ouvido.
Viver sem mata-me. Enquanto viver sem pensar, uma gaja nem se dá conta, né? Não pensa.
Viver sem mata-me. Enquanto viver sem pensar, uma gaja nem se dá conta, né? Não pensa.
Libellés :
português
Mar 14, 2009
Mal por bem, trem, trem, trem.
A única vantagem desta constipação é que o meu corpo, todo mobilizado em eradicá-la, esqueceu-se por completo do esquema de castigo pela vida computerizada que teima em levar a cabo no meu ombro. Há dez dias, a dor começou a mingar, agora já não me doí nada. Nada. Havia anos.
(Há outra vantagem, mas não sei se posso dizer. Bom, vá, digo: Há ventos que sopram prédios abaixo, vagas que os levam, terramotos que fazem ruir etc etc. Eu, hoje em dia, por mero poder bronquial, tusso casas abaixo. E não qualquer uma. A sede da Caixa Geral de Depósitos. Sim. Se não caiu, foi por pouco. Tossindo descontroladamente, tive que fugir do pequeno auditório ao meio do filme. Tudo tremia no clamor dos meus bramidos. Afastei-me por corredores sem fim, sentia literalmente as camaras de vigilência virar-se para mim uma a seguir a outra, a perfurar os meus já esfarrapados pulmões. Por fim cheguei a uma casa de banho metálica onde consegui afoguar o ruidoso bicho debaixo da torneira. A casa acalmou. Repito, foi por pouco que não ruiu. Já se viam rachas nas paredes.
Depois, fiquei a saber que neste meio, as notícias correm velozes: O lobo mau já me propus emprego, mais dois ou três assaltadores cobardes. Pagam bem, o que hoje em dia não é de desprezar. Enfim, pagar... com esta gentinha, é mais participar nos lucros, se os houver.
Vou pensar.
Mas acho que o trabalho dos meus pulmões não está a venda.)
(Há outra vantagem, mas não sei se posso dizer. Bom, vá, digo: Há ventos que sopram prédios abaixo, vagas que os levam, terramotos que fazem ruir etc etc. Eu, hoje em dia, por mero poder bronquial, tusso casas abaixo. E não qualquer uma. A sede da Caixa Geral de Depósitos. Sim. Se não caiu, foi por pouco. Tossindo descontroladamente, tive que fugir do pequeno auditório ao meio do filme. Tudo tremia no clamor dos meus bramidos. Afastei-me por corredores sem fim, sentia literalmente as camaras de vigilência virar-se para mim uma a seguir a outra, a perfurar os meus já esfarrapados pulmões. Por fim cheguei a uma casa de banho metálica onde consegui afoguar o ruidoso bicho debaixo da torneira. A casa acalmou. Repito, foi por pouco que não ruiu. Já se viam rachas nas paredes.
Depois, fiquei a saber que neste meio, as notícias correm velozes: O lobo mau já me propus emprego, mais dois ou três assaltadores cobardes. Pagam bem, o que hoje em dia não é de desprezar. Enfim, pagar... com esta gentinha, é mais participar nos lucros, se os houver.
Vou pensar.
Mas acho que o trabalho dos meus pulmões não está a venda.)
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catarina eufemia,
português
Mar 11, 2009
Mar 10, 2009
Mon rhume m'a offert un rêve étrange.
Dans le métro (celui de Berlin, tiens!) un jeune homme parle à sa mère en chuintant doucement, dans un baragouin presque animal et très tendre. Cela me paraît "inversé" (c'est elle qui devrait lui parler ainsi), car elle a une petite trompe évasée à la place du nez qui l'oblige à renverser la tête pour pouvoir respirer, les yeux au plafond. Assise en face d'elle à cõté du fils, je vois à l'intérieur de cette trompe, joli tube charnu et humide comme une espèce de chanterelle qui serait faite de la chair d'un hippopotame nouveau-né.
Les photos proviennent du bal des cinéastes amateurs, à l'hôtel Moreau de la Chaux-de-Fonds, en Suisse, en 1939.
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dans le train,
français
Mar 9, 2009
back to bigode
I woke with the voice of somebody else. A man's voice, deep and rough, a lovely baritone (or so i think). Lovely, because, to my eternal despair, I usually express myself in a squeaky girlish tone that only has one good side: if I really have to make myself heard in a crowd, everybody turns around. In dismay at the high squeal, but they turn, and listen. I use it as little as possible.
So now this voice comes out of me, the next best thing to surgical sex change, cheap. Not that I ever wanted one, but it's so so terribly self-sexy that I have been reading aloud most of the afternoon. Reverberating, vibrating, wow.
(Dylan Thomas. The rhythm of him. And since even without the fever i only understand half of it, it's just pure pleasure.)
This is what's left of the hospital where I got acquainted to real fever. Not-a-spot-of-quiet fever, everything moving, changing, transforming, patterns and colors being born from each other. After 3 weeks, the fever receded, but the walls wouldn't keep quiet. I felt separated from the world. I remember beginning to wonder: would the cello-tape around me ever go away? Would things keep their places again?
I walked out of my room in my nightgown, very slowly. Nobody tried to stop me. Then out of the door, to the nearby forest. I crawled under a small fir, amongst the needles, the low branches making a child's hut. I stayed there for what seemed the longest time, breathing the resin smell, hidden to everybody, trying to understand if reality would ever touch me again.
I was 13 then, and now the ivy has invaded the staircase to the lab.
Later: Not 13, no. 14 at least. This was after the Creta Holidays, and I already had the motorbike I was going to be run over riding...when? maybe 6 months later? A real hospital year, that one.
So now this voice comes out of me, the next best thing to surgical sex change, cheap. Not that I ever wanted one, but it's so so terribly self-sexy that I have been reading aloud most of the afternoon. Reverberating, vibrating, wow.
(Dylan Thomas. The rhythm of him. And since even without the fever i only understand half of it, it's just pure pleasure.)
This is what's left of the hospital where I got acquainted to real fever. Not-a-spot-of-quiet fever, everything moving, changing, transforming, patterns and colors being born from each other. After 3 weeks, the fever receded, but the walls wouldn't keep quiet. I felt separated from the world. I remember beginning to wonder: would the cello-tape around me ever go away? Would things keep their places again?
I walked out of my room in my nightgown, very slowly. Nobody tried to stop me. Then out of the door, to the nearby forest. I crawled under a small fir, amongst the needles, the low branches making a child's hut. I stayed there for what seemed the longest time, breathing the resin smell, hidden to everybody, trying to understand if reality would ever touch me again.
I was 13 then, and now the ivy has invaded the staircase to the lab.
Later: Not 13, no. 14 at least. This was after the Creta Holidays, and I already had the motorbike I was going to be run over riding...when? maybe 6 months later? A real hospital year, that one.
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english,
ler o mundo
Mar 2, 2009
el arte del birlibirloque
Passei a tarde a arrumar os livros do meu pai.
E a noite na cozinha caiu-me uma noticia absurda, susto e alivio, que ainda nao tenho bem palavras para descrever mas quer-me parecer que va influenciar os equilibrios da minha vida um bom bocado.
E a noite na cozinha caiu-me uma noticia absurda, susto e alivio, que ainda nao tenho bem palavras para descrever mas quer-me parecer que va influenciar os equilibrios da minha vida um bom bocado.
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ler o mundo,
português,
trois trembles
Feb 27, 2009
S'étonner de la bienveillance des membres du groupe jusqu'à l'instant où il s'avère que chacun s'avance plus ou moins sur les mêmes pieds d'argile.
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français
Feb 25, 2009
le grattement de la pelle à neige
Le soleil bas inonde le bureau de ma copine, couvert -c'est son métier- d'articles sur le zéroglottisme. en particulier tout un numéro de babylonia, sur l'attrition de la langue-le revers de la médaille du plurilinguisme. Ça comence bien: attrition... pour moi ça veut dire résistance de la matière, usure. Alors que Sprachverlust, perdita : nous y voilà!
Mais je voulais parler d'autre chose. Je voulais parler de l'homme du train. Du très très bel homme dans le train. Il lisait un journal gratuit germanophone, si concentré qu'il ne levait pas les yeux. J'en ai profité. Sa beauté était de celles qui accueillent, tranquille. Pas une petite affaire. Des os larges, des espaces définis, tout en lui calme et précis. Un repos qui n'excluait rien.
Bref trajet, gare terminale. Je suis descendue avant lui. Je n'ai pas sa patience.
Sur le panneau d'affichage, j'ai trouvé ma correspondance. Je me suis retournée: il était derrière moi, mon cahier à la main.
"C'est à vous ça? Je l'ai trouvé sur la banquette"
Sa voix lui allait bien.
""Oui! Merci!... Vous me sauvez la vie."
Il a souri, est reparti.
Ce cahier contient six mois de notes pour un nouveau film.
Trouver, perdre, retrouver.
Quelque chose en moi est prête à prendre plus de risques que je l'aurais imaginé.
Mais je voulais parler d'autre chose. Je voulais parler de l'homme du train. Du très très bel homme dans le train. Il lisait un journal gratuit germanophone, si concentré qu'il ne levait pas les yeux. J'en ai profité. Sa beauté était de celles qui accueillent, tranquille. Pas une petite affaire. Des os larges, des espaces définis, tout en lui calme et précis. Un repos qui n'excluait rien.
Bref trajet, gare terminale. Je suis descendue avant lui. Je n'ai pas sa patience.
Sur le panneau d'affichage, j'ai trouvé ma correspondance. Je me suis retournée: il était derrière moi, mon cahier à la main.
"C'est à vous ça? Je l'ai trouvé sur la banquette"
Sa voix lui allait bien.
""Oui! Merci!... Vous me sauvez la vie."
Il a souri, est reparti.
Ce cahier contient six mois de notes pour un nouveau film.
Trouver, perdre, retrouver.
Quelque chose en moi est prête à prendre plus de risques que je l'aurais imaginé.
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dans le train,
français
Feb 24, 2009
sos
il est tôt, c'est comme s'il était tard.
(il faut dire que j'ai passé la moitié de la soirée à écouter une retraitée de la Poste qui racontait les cours de sexe tantrique auxquels elle a assisté en Inde. L'autre moitié a été réservée à la comparaison détaillée de la recette de bortsch d'Ana avec celle de Mariana)
(il faut dire que j'ai passé la moitié de la soirée à écouter une retraitée de la Poste qui racontait les cours de sexe tantrique auxquels elle a assisté en Inde. L'autre moitié a été réservée à la comparaison détaillée de la recette de bortsch d'Ana avec celle de Mariana)
Libellés :
français
Feb 21, 2009
anti-pickpocket
Nesta zona, até os supermercados são sinistres. Este está numa cave, e a mulher penava para subir as escadas. Içava as compras, um saco pesado, um degrau de cada vez. Corrimão, bengala, degrau, saco, corrimão, bengala...
Sem pedir mais licença que um olhar, Emília pegou no saco e depositou-o em cima das escadas. A mulher agradeceu. Palavra puxa palavra, Emilia acabou por acompanhá-la até casa, ali pertinho, mesmo atrás da sopa dos pobres.
À porta da rua, o medo e a desconfiança ficaram mais fortes que a necessidade, e Emilia despediu-se. Mas a Dona Palmira, com os seus 230 euros de reforma, não queria que ninguém ficasse seu credor.
Após muito vasculhar no porta-moedas, tirou 50 cêntimos. -Dá para um café, não dá?
-Dá, sim, mas eu não quero. Isto foi de boa vontade.
Não houve como, teve de aceitar. Pegou na moeda, 0,2% da tal reforma.
E agora?...
Emilia sorridente prolongou os agradecimentos, olhos nos olhos com dona Palmira... com o coração a bater e os dedos a procura por baixo do braço da senhora, curvado sobre a preciosa mala, até encontrar a racha do bolso e conseguir que a moeda caisse de volta onde pertencia.
A dona Palmira, louvados sejam deus e mais algumas entidades menos badaladas, não se deu conta de nada.
Então Emilia afastou-se triste.
Não dever nada a ninguém! Honra e orgulho. Lindo, sim. Mas que porra de burrice.
Não espanta que as donas Palmiras estejam a morrer de solidão.
Sem pedir mais licença que um olhar, Emília pegou no saco e depositou-o em cima das escadas. A mulher agradeceu. Palavra puxa palavra, Emilia acabou por acompanhá-la até casa, ali pertinho, mesmo atrás da sopa dos pobres.
À porta da rua, o medo e a desconfiança ficaram mais fortes que a necessidade, e Emilia despediu-se. Mas a Dona Palmira, com os seus 230 euros de reforma, não queria que ninguém ficasse seu credor.
Após muito vasculhar no porta-moedas, tirou 50 cêntimos. -Dá para um café, não dá?
-Dá, sim, mas eu não quero. Isto foi de boa vontade.
Não houve como, teve de aceitar. Pegou na moeda, 0,2% da tal reforma.
E agora?...
Emilia sorridente prolongou os agradecimentos, olhos nos olhos com dona Palmira... com o coração a bater e os dedos a procura por baixo do braço da senhora, curvado sobre a preciosa mala, até encontrar a racha do bolso e conseguir que a moeda caisse de volta onde pertencia.
A dona Palmira, louvados sejam deus e mais algumas entidades menos badaladas, não se deu conta de nada.
Então Emilia afastou-se triste.
Não dever nada a ninguém! Honra e orgulho. Lindo, sim. Mas que porra de burrice.
Não espanta que as donas Palmiras estejam a morrer de solidão.
Libellés :
Emília,
ler o mundo,
português
Feb 17, 2009
Things to do before i die
Seeing the day break over the ocean at the origin of time
(man-made time, that is, Greenwich + 12, in the Russian far-far-east).
(man-made time, that is, Greenwich + 12, in the Russian far-far-east).
Libellés :
english,
Things to do before i die
Feb 16, 2009
Tarductora
Quando devia preocupar-me com traduzir amantes silenciosos e aceitar catastrofes em nome de outrém, deu-me para comprar as primeiras favas do ano. Tao finas e frescas e nem eram caras. Descasca-las ainda me deixou perder meia horita.
Agora tenho as maos a cheirar a verde e um atraso dos diabos.
Agora tenho as maos a cheirar a verde e um atraso dos diabos.
Feb 15, 2009
vieille note to self (Jo, Zette et Jocko)
Conscience toujours présente de la fragilité de la moelle épinière, petit fil qui passe par le petit chas d’entre les vertèbres et s’il est cassé Apollo 13 ne répond plus ni même le Manitoba.
(C’est où le Manitoba ? Au Canada dry)
(C’est où le Manitoba ? Au Canada dry)
Libellés :
français,
private joke
Feb 14, 2009
To all sirenians out there, join DALAB now, it helps.
as of tonight:
1 female writes her
222th post
3 half-hours before going to a chinese dinner of
4 different dishes,
5 walking minutes away from home,
6 or
7 or even
8 hours before going to sleep, depending on how fast the
9 pages she decided to finish today will be written.
I just joined DALAB (Draw A List Against Blubber). They had this irresistible add...
BLUBBER
v.i.: To sob noisily. See Synonyms at cry.
v.tr.:
1. To utter while crying and sobbing.
2. To make wet and swollen by weeping.
and
BLUBBER is also the thick layer of vascularized fat found under the skin of all cetaceans, pinnipeds and sirenians.
1 female writes her
222th post
3 half-hours before going to a chinese dinner of
4 different dishes,
5 walking minutes away from home,
6 or
7 or even
8 hours before going to sleep, depending on how fast the
9 pages she decided to finish today will be written.
I just joined DALAB (Draw A List Against Blubber). They had this irresistible add...
BLUBBER
v.i.: To sob noisily. See Synonyms at cry.
v.tr.:
1. To utter while crying and sobbing.
2. To make wet and swollen by weeping.
and
BLUBBER is also the thick layer of vascularized fat found under the skin of all cetaceans, pinnipeds and sirenians.
Libellés :
english,
private joke,
zero
Feb 12, 2009
brain again
"I'm sorry, I'd really like to come with you guys, but I can't. What? ... Oh no, everything is ok, just some work I have to finish."
Libellés :
beasts,
brain again,
drawing,
english
Feb 11, 2009
hoje, compras
A porta da rua bate. Nas escadas do prédio, o perfume da minha vizinha faz-lhe como que uma irmã mais nova, que a segue perguiçosa, vestida de amarelo narciso.
Na caixa do pingo doce, uma mulher apressada, vinda de fora, cumprimenta a empregada e murmura-lhe qualquer coisa ao ouvido.
- Não temos, responde ela.
- Mas não faz falta?
- Faz...
- Pois, há necessidade, remata a apressada.
Imagino o óbvio, a casa de banho, mas ela continua:
- Vai piorar muito. O código do trabalho foi aprovado. 12 horas de trabalho por dia...
A caixeira assusta-se. Volta a contar o meu troco. A recém-chegada debruça-se, mais murmúrio, não consigo ouvir.
- Não, não. Acho que não, responde a caixeira, não tenho vida para isto.
Um senhor vesgo surje das profundezas do supermercado, vem direito à mulher apressada :
- A senhora, o que deseja?
- Sou do sindicato.
Na caixa do pingo doce, uma mulher apressada, vinda de fora, cumprimenta a empregada e murmura-lhe qualquer coisa ao ouvido.
- Não temos, responde ela.
- Mas não faz falta?
- Faz...
- Pois, há necessidade, remata a apressada.
Imagino o óbvio, a casa de banho, mas ela continua:
- Vai piorar muito. O código do trabalho foi aprovado. 12 horas de trabalho por dia...
A caixeira assusta-se. Volta a contar o meu troco. A recém-chegada debruça-se, mais murmúrio, não consigo ouvir.
- Não, não. Acho que não, responde a caixeira, não tenho vida para isto.
Um senhor vesgo surje das profundezas do supermercado, vem direito à mulher apressada :
- A senhora, o que deseja?
- Sou do sindicato.
Libellés :
português
Feb 10, 2009
Il portait sa mémoire devant lui comme certaines femmes leur trop riche poitrine, talon d’achille et bouclier, ensemble.
Libellés :
français,
ler o mundo
Feb 8, 2009
Mighty mouse e o alívio
O meu ratinho caseiro teve noite de Sísifo: primeiro fez cair o abacate do cesto da fruta. A grande custo, o cesto é fundo. Do tampo da mesa para o chão. Dali pela cozinha toda, patinha atras de patinha, um abacate de redondo não tem nada, roda pior que sei là, até à entrada do seu buraquinho. Onde o fruto não coube, nem neste sentido, nem no outro.
Encontrei-o ali abandonado, amachucado. Assinalando a morada roedora melhor que uma seta piscante...
Lembrei-me que pudesse ser mau augúrio, afinal hoje... mas logo o rádio trouxe notícia: os suiços votaram para a recondução da livre movimentação das pessoas. Que alívio. E ainda deu para um guacamole.
Encontrei-o ali abandonado, amachucado. Assinalando a morada roedora melhor que uma seta piscante...
Lembrei-me que pudesse ser mau augúrio, afinal hoje... mas logo o rádio trouxe notícia: os suiços votaram para a recondução da livre movimentação das pessoas. Que alívio. E ainda deu para um guacamole.
Libellés :
beasts,
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português
Feb 6, 2009
sobre o poder das mãos (fim)
A verdade é que nem as vi com olhos de ver, as mãos do osteopata. Estava eu tão concentrada em estar inteira debaixo delas, estas mãos, que nem me lembrei de abrir os olhos. Em troca a camada de cérebro que me serve de pele trabalhava a dois mil à hora. Basta que lhe tocam de certa forma em certos sítios, e hop hop hop lá se põe ela a iradiar mensagens líricas à todo o lado. Um disparate. Não há problema, até é normal, mas hoje o descodificador não queria funcionar. Acabei por dizer barbaridades e estou envergonhada.
Libellés :
drawing,
on the power of hands
Feb 4, 2009
escapar da chuva
No televisor do café imagens estranhas. De perto, pormenores de objectos muito antigos, sinuosos, retorcidos. Não percebo. Achados arqueológicos? Troncos queimados? Cachos de ostras fossilizadas?
Afinal são mãos de pessoas com lepra, reduzidas à coisas, primeiro pela doença, depois pela câmera. O meu olhar cruza o do taberneiro, um calmeirão. Não precisa de mais nada, pega no comando e muda de canal. Desenhos animados.
"Agora ponho isto muitas vezes, mesmo quando estou sozinho. Até com som. No posso mais com o Freeport, nos quatro canais, é isto ou a neve. Aquilo pelo menos tem muita arte. E é bonito. Tou farto de depressões".
Lá fora, a chuva transformou-se em granizo. No ecrã, quatro bébés pinguins vão acampar. O que é mais giro que um pinguim? Um bébé pinguim.
Afinal são mãos de pessoas com lepra, reduzidas à coisas, primeiro pela doença, depois pela câmera. O meu olhar cruza o do taberneiro, um calmeirão. Não precisa de mais nada, pega no comando e muda de canal. Desenhos animados.
"Agora ponho isto muitas vezes, mesmo quando estou sozinho. Até com som. No posso mais com o Freeport, nos quatro canais, é isto ou a neve. Aquilo pelo menos tem muita arte. E é bonito. Tou farto de depressões".
Lá fora, a chuva transformou-se em granizo. No ecrã, quatro bébés pinguins vão acampar. O que é mais giro que um pinguim? Um bébé pinguim.
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português
Feb 3, 2009
o dilema do costume
Será que posso (tentar) assassinar um ratinho do qual sei que prefere azeitonas à passas de uva, prova indubitável de juizo?
(Pensando nisto, se o juizo protege do assassínio, é estranho eu ter chegado a esta selecta idade. Talvez seja bom desperdir-me agora.)
(Pensando nisto, se o juizo protege do assassínio, é estranho eu ter chegado a esta selecta idade. Talvez seja bom desperdir-me agora.)
Feb 1, 2009
abrigo
Se eu passo o dia a falar português enquanto o mundo em água se desmorona (isto sobretudo à noite com as árvores deitadas desnorteadas o eixo perdido porque ainda o meio-dia ao sol se roçava),
se eu passo o dia a trabalhar a palavra que é de todos em palavras portuguesas dizendo não sou portuguesa isto talvez melhor fica de outra maneira, da tua maneira,
se eu passo o dia nisto que sem ser meu é meu,
em que lingua é que à noite o desalinho que o dia deixou se exprime e sai e corre?
Hoje devia ser, devia, na lingua franca da água louca a bater na casa mal feita. Lingua de chuva, lingua das coisas que tinham peso mas hoje se esquecem para deixar-se arrastar, lingua de vento, lingua escura. Lingua que ninguém quer falar.
Tenho casa, mesmo que mal feita, tecto, mesmo que pinga. Falo e até há luz para dizer o pouco que posso dizer.
Protegida em português enquanto o mundo em água se desmorona.
se eu passo o dia a trabalhar a palavra que é de todos em palavras portuguesas dizendo não sou portuguesa isto talvez melhor fica de outra maneira, da tua maneira,
se eu passo o dia nisto que sem ser meu é meu,
em que lingua é que à noite o desalinho que o dia deixou se exprime e sai e corre?
Hoje devia ser, devia, na lingua franca da água louca a bater na casa mal feita. Lingua de chuva, lingua das coisas que tinham peso mas hoje se esquecem para deixar-se arrastar, lingua de vento, lingua escura. Lingua que ninguém quer falar.
Tenho casa, mesmo que mal feita, tecto, mesmo que pinga. Falo e até há luz para dizer o pouco que posso dizer.
Protegida em português enquanto o mundo em água se desmorona.
Jan 30, 2009
Jan 29, 2009
hymne personnational
"Ma luette, ma gentille luette
je te plumerai la tête, et le bec, et le bec!
ma luette, ma gentille luette..."
etc etc.
oui oui oui le GROS problème de zeroglotte, c'est la minusculité minuscule de sa niche (nichée) écologique... On dit ça, m'en fait, on est tous des mêmes, non? Avec pattes et ailes et luette. (qui se dit UVULA en engrish (un mot mi-oeno mi-gynécologique, a-t-on idée! ) et c'est là bien sûr le grain de sable dérailleur du jour)
je te plumerai la tête, et le bec, et le bec!
ma luette, ma gentille luette..."
etc etc.
oui oui oui le GROS problème de zeroglotte, c'est la minusculité minuscule de sa niche (nichée) écologique... On dit ça, m'en fait, on est tous des mêmes, non? Avec pattes et ailes et luette. (qui se dit UVULA en engrish (un mot mi-oeno mi-gynécologique, a-t-on idée! ) et c'est là bien sûr le grain de sable dérailleur du jour)
Jan 28, 2009
first times
This osteopath began his work today by clasping electrodes to my back and turning the voltage as high "as you can stand". This meant i could feel my muscles twitching and switching with a life of their own, hopping like crazy in electric rhythm. Thus i was left alone for 10 minutes. Alone with somebody's panicking heart grafted to my shoulders (that's how it felt, and that's how my heart was taking it, faster and faster, before I talked him down, can't see anything without wanting the same, the sympathetic bastard) 10 minutes is a long time.
Afterwards came bliss.
Afterwards came bliss.
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Jan 27, 2009
ADN
Não é que descobri, num evento surreal que mais parecia o que imagino ser o aquecimento das dançarinas do Finalmente, que só consigo rebolar as ancas com algum aparato no sentido dos ponteiros dum relógio? No outro não rodam, andam aos tristes solavancos qual pneu furado.
Como é que o meu bisavô Robert não se lembrou desta horrenda consequência quando resolveu ser relojeiro?
Como é que o meu bisavô Robert não se lembrou desta horrenda consequência quando resolveu ser relojeiro?
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Jan 25, 2009
Absolute shelter and the mail
ok, this is going to be pretty disheveled:
as I already wrote here, the columbian writer and diplomat of swedish descent Léon de Greiff (1895-1976) spoke about Korpilombolo as the "absolute shelter", even if he only visited there shortly, once. He, says Wiki, meant it as a philosophical metaphor.
But if... (short break. it began hailing all of a sudden, i had to run and save my washing) But if you look at one of these world-maps for climate change, like in 40 years or such, when the temperature has risen, the water is up, mass extinction of beasts, plants and humans has occurred, Korpi will be one of the very few places that could still be more or less habitable. Is that why quite a few people disembark on zeroglotte on the "Korpilombolo Project" tag? What are they looking for? Real-estate? A survival group living off cloudberries and dried reindeer?
If you had to invent a mean of communication/information/storage for a energy-crazed civilization living on a planet of finished resources, and working tirelessly at her own doom, what would you come up with? Logically, I mean, in an Darwinian evolutionary way? Survival-of-the-most-likely-to-bring-it-all-to-an-end? You'll invent this beautiful super-effective energy-driven device that's so easy and fun to use that in no time every thought and word and image of that civilization will be stored in it, to the point that many many many things will only exist in the device. So when the energy begins to lack, the people will be cut from their artefacts and...and what? It's just that bit-sized instantly rewarding stuff (any stuff) seems the perfect food for a dying person, cat, sycamore.
But of course the virtuality is what makes me free. A little bit freer.
ok, this was not only disheveled, but plain brooding. and not very...clear.
(Finno-Ugric languages (Italics indicate extinct languages)
Baltic-Finnic : Estonian · Finnish (Ingrian Finnish · Kven · Meänkieli) · Ingrian · Karelian (Ludic · Olonets Karelian) · Livonian · South Estonian (Seto · Võro) · Veps · Votic
Volga-Finnic : Mari · Erzya · Moksha · Merya · Meshcherian · Muromian
Permic : Komi · Komi-Permyak · Udmurt
Sami : Akkla · Inari · Kemi· Kildin · Lule · Northern · Pite · Skolt · Southern · Ter · Ume
Ugric
Hungarian · Khanty · Mansi)
as I already wrote here, the columbian writer and diplomat of swedish descent Léon de Greiff (1895-1976) spoke about Korpilombolo as the "absolute shelter", even if he only visited there shortly, once. He, says Wiki, meant it as a philosophical metaphor.
But if... (short break. it began hailing all of a sudden, i had to run and save my washing) But if you look at one of these world-maps for climate change, like in 40 years or such, when the temperature has risen, the water is up, mass extinction of beasts, plants and humans has occurred, Korpi will be one of the very few places that could still be more or less habitable. Is that why quite a few people disembark on zeroglotte on the "Korpilombolo Project" tag? What are they looking for? Real-estate? A survival group living off cloudberries and dried reindeer?
If you had to invent a mean of communication/information/storage for a energy-crazed civilization living on a planet of finished resources, and working tirelessly at her own doom, what would you come up with? Logically, I mean, in an Darwinian evolutionary way? Survival-of-the-most-likely-to-bring-it-all-to-an-end? You'll invent this beautiful super-effective energy-driven device that's so easy and fun to use that in no time every thought and word and image of that civilization will be stored in it, to the point that many many many things will only exist in the device. So when the energy begins to lack, the people will be cut from their artefacts and...and what? It's just that bit-sized instantly rewarding stuff (any stuff) seems the perfect food for a dying person, cat, sycamore.
But of course the virtuality is what makes me free. A little bit freer.
ok, this was not only disheveled, but plain brooding. and not very...clear.
(Finno-Ugric languages (Italics indicate extinct languages)
Baltic-Finnic : Estonian · Finnish (Ingrian Finnish · Kven · Meänkieli) · Ingrian · Karelian (Ludic · Olonets Karelian) · Livonian · South Estonian (Seto · Võro) · Veps · Votic
Volga-Finnic : Mari · Erzya · Moksha · Merya · Meshcherian · Muromian
Permic : Komi · Komi-Permyak · Udmurt
Sami : Akkla · Inari · Kemi· Kildin · Lule · Northern · Pite · Skolt · Southern · Ter · Ume
Ugric
Hungarian · Khanty · Mansi)
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Korpilombolo Project
Jan 21, 2009
On the power of hands
Years ago, Emilia worked in a bar for some time. One night, she witnessed a very sweet very drunk bum who'd gotten a gash on his head, and was being tended by a young nurse who happened to be there. As the nurse worked on him, he looked at her, rambling softly about how she had beautiful breasts, how he knew women like to be looked at, how he 'd want to make her one baby, or better : two, so they would never be lonely... if she'd only let him. What could have been harsh crude talk was actually tender, sincere, even respectful. Very vulnerable.
Afterwards, when Emilia asked the nurse how she coped with these things, she said she didn't mind because she had learned that when you touch (as in "put your hands on") very lonely persons, they sometime want to marry you on the spot. That's the effect hands can have, touching.
Sounds terrible. Well, it almost happened to me this afternoon, and I'm not even so lonely these days. During the whole second half-hour of the appointment, I seriously thought of proposing to the unknown osteopath who was kneading my sore back to a raw and happy pulp. Seriously.
(Yesterday, retouching. today, touching. Is there a pattern emerging here???)
Afterwards, when Emilia asked the nurse how she coped with these things, she said she didn't mind because she had learned that when you touch (as in "put your hands on") very lonely persons, they sometime want to marry you on the spot. That's the effect hands can have, touching.
Sounds terrible. Well, it almost happened to me this afternoon, and I'm not even so lonely these days. During the whole second half-hour of the appointment, I seriously thought of proposing to the unknown osteopath who was kneading my sore back to a raw and happy pulp. Seriously.
(Yesterday, retouching. today, touching. Is there a pattern emerging here???)
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Jan 20, 2009
the Intimacy of Strangers (3)
This lady has been living with me for ages. In the eighties in Berlin, one filmmaker-apprentice was earning some money touching up prints in a photo lab that worked for the Bauhaus museum. Some prints that he liked but were too bad to work on (not that you would notice it), he brought home. This one I fell in love with, so much I asked for it. Her steady gaze has been following me ever since, over changes of homes and countries. Time passes, she's immune. She was a mature lady then, she's now something of a child. She's part of my life. I had forgotten her name. If asked, I'd answer she was a textile artist of secondary importance at the Weimarer school. Two days ago, I stumbled on her in the Internet. I stood still, actually shocked, like seeing your half-naked sibling's pic on a dating site. Marianne Brandt. That's her name. (Which I could have remembered, since the first boy who kissed me was thus called, Brandt. It happened by the fountain at the train station, an awful -if puzzling- disillusion. Which might be the reason.) She was a successful designer, and this is a self portrait. I read this and saw what I hadn't seen in some 25 years: the release mechanism in her left hand. And then I found the following: the whole picture. No idea when it was cut, and who did it.
Public privacy. One way to exorcise it.
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intimacy of strangers
Jan 18, 2009
Cinderella nas Caldas
Foi ela que as viu, penduradas num molho cerrado ao lado dos bacalhaus. "Vendem-se muito" disse o merceeiro abrindo o molho no balcão, uma enchurrada de chinelos de criar Lapónia naquela viela húmida. "Aquelas são de mulher, as de homem só as posso ir buscar para a semana. Escolham, escolham." O principe, realista, murmurou que de certeza que eram feitos na China. "Em Gouveia. Mas já quase não se fazem, já não há retalhos, a industria téxtil fecha toda. E as mulherzinhas, envelhecem. As mais novas já não querem". Ela, enfim, pantufa é pantufa, mas sempre se prova, não? O merceeiro:" São feitas de qualquer maneira, não há tamanhos, veja se quer grande, ou pequeno. Vá vendo". Qual tamanho qual quê. "Quero aquelas com as solas encarnadas". 4 euros e meio, foi o que o principe pagou.Mais tarde, addenda já nocturna:
Ao fim e ao cabo quem traz as pantufas não é o principe mas a fada madrinha. O principe só mais tarde acha uma, a perdida.
(Primeiro escrevi noturna. Mas noturna perde mistério e se torna soturna, voltou nocturna. Tanta batalha que ainda me falta vencer aos meus conservadorismos encapotados.)
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Jan 15, 2009
comfort-shattering maths
I have a friend with a black-and-white brain (says he), who wouldn't let anybody get away with bad science. He send me this:
So now I stand corrected: Running out of the rain WILL get you less wet then just walking. How sad. I liked the counter-intuitive feel, the idea that in some cases doing nothing special would help more then hectic moving, that staying in could be better then moving out. But no.
Plus I'll never know if it was just one more case of Infamous Selective Remembering, or if the book had it wrong. (Me being me, odds are it's ISR. Very prone I am.)
So now I stand corrected: Running out of the rain WILL get you less wet then just walking. How sad. I liked the counter-intuitive feel, the idea that in some cases doing nothing special would help more then hectic moving, that staying in could be better then moving out. But no. Plus I'll never know if it was just one more case of Infamous Selective Remembering, or if the book had it wrong. (Me being me, odds are it's ISR. Very prone I am.)
Jan 14, 2009
happy january
Mitternacht, Gas alle (nichts mit Gazprom zu tun), die Wohnung saukalt. Also: Wasser kochen (das geht noch), Wärmeflasche füllen, T-shirt um die heisse Wärmeflasche wickeln, das ganze unter die Bettdecke, bisschen warten (Zähneputzen, etc.etc...) schnell auziehen, Wärmeflasche auswickeln, glühende T-shirt anziehen... Wohlseufz.
Dann von unter der Decke bloggen....
Dann von unter der Decke bloggen....
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deutsch
Jan 13, 2009
Les Filles sans Queue
I had to go to the cybercave to have them scanned, these small no-tail-girls. The Bengali deskman took them with the tips of his fingers, scanned them twice as fast as usually, asked if it was ok if he called the file "Art", put it on my flash-drive and returned to his work without saying good night. I didn't intend to upset him, his is the only cave in the neighborhood that's still open at this time of the night.
So here they are, the nekkid lassies, not tailed, nor tailored.

The no-tail-woman has still to come. She will awake soon, with no memory but, if she's lucky, just the ghost of a tail. Long, furry, and, of course, prehensile.
So here they are, the nekkid lassies, not tailed, nor tailored.

The no-tail-woman has still to come. She will awake soon, with no memory but, if she's lucky, just the ghost of a tail. Long, furry, and, of course, prehensile.
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parallel evolution
Jan 10, 2009
Jan 7, 2009
Jan 6, 2009
Nabelneid
Icy morning in the kitchen. The coffeepot takes its sweet personal time. On Radio France Internationale the speaker: 8 heures à Paris, 7 heures en Temps Universel. I always get a kick out of him. 7 o'clock, that's what the small watch hanging in the dried laurel says. Temps Universel, that's here, that's me and my yellow pointed slippers, we breathe small clouds in universal time, amidst galaxies and last years empty bottles! You wouldn't guess it but we are part of the whole! Merci! Merci!
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ler o mundo
Jan 5, 2009
Jan 3, 2009
zero/zero
A uma brasileira que lhe contava o seu espanto ao descobrir que em Portugal dizem que fala brasileiro, quando para si, ela sempre falou português, Zero ia, com a maior das naturalidades, dizer que lhe parecia normal que a lingua dela tivesse o nome do pais onde é falada, quando zzzuuuiiito se calou, atingida pela primeira ilu do ano. Suiça, a pobre zeroglota fala francês. E até costuma achar meio ofensivo quando um galês lhe vêm dizer que fala suiço.
(ilu: abreviação para iluminacíon de melón: anomalia zeroglótica de cariz cucurbitácea. Isto é: embatanço da percebitação, pode ter vários feitios, vários sabores, mas pevides tem sempre)
(ilu: abreviação para iluminacíon de melón: anomalia zeroglótica de cariz cucurbitácea. Isto é: embatanço da percebitação, pode ter vários feitios, vários sabores, mas pevides tem sempre)
Today's comfort
You're walking. It starts to rain.
If you start to run to get out of the rain, you'll actually get wetter then if you don't.
Something about the relative speeds of the falling drops, and yours.
I found this fact decades ago in a science book for kids. Such things, my brain grabs and remembers forever. I'd love it to be as efficient in other matters.
If you start to run to get out of the rain, you'll actually get wetter then if you don't.
Something about the relative speeds of the falling drops, and yours.
I found this fact decades ago in a science book for kids. Such things, my brain grabs and remembers forever. I'd love it to be as efficient in other matters.
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My name is Ismael
Hoje Ismael entrou na minha vida.
Isto é, já o conheço há anos, vende-me os cartões de telefone e o jornal ocasional.
Tem olhos meigos e tez indiana, sempre gostei da sua maneira desprendida de me tratar por tu. Nunca soube o nome dele, nem ele o meu.
Hoje passou uma mulher apressada: Olá Ismael.
Lisboa-Nantucket Express. O grande mar baleeiro a lamber o quiosque da Almirante Reis.
Mas há quem não goste de ler.
Isto é, já o conheço há anos, vende-me os cartões de telefone e o jornal ocasional.
Tem olhos meigos e tez indiana, sempre gostei da sua maneira desprendida de me tratar por tu. Nunca soube o nome dele, nem ele o meu.
Hoje passou uma mulher apressada: Olá Ismael.
Lisboa-Nantucket Express. O grande mar baleeiro a lamber o quiosque da Almirante Reis.
Mas há quem não goste de ler.
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Dec 28, 2008
pepino pequenino
No avião Genebra-Lisboa, um casal anglófono com uma filha de uns 18 meses. Para distrair a miúda durante toda a viagem, um pouco mais de duas horas, mostram-lhe imagens de ela própria dum leitor de DVD portátil. E de facto ela não pia, nem descola os olhos da sua pequena e exclusiva pessoa.
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dans le train,
português
Dec 27, 2008
peúgos
Antes de sair da Suiça, encher as malas de peúgos. A qualidade peúgal sendo proporcional à proximidade do círculo polar, os suiços são melhores que os português. E os scandinavos melhores que estes, mas faz-se o que se pode.
Serão precisos imensos na noite de Fim de Ano, para distribuir aos amigos. Começar o ano novo de pé virginalmente vestido é uma grande ajuda. Manipula o futuro no nosso sentido, muito mais do que aquelas ginásticas engolidoras de passas, que são perigosas. (Manipula? Pedipula.)
E não me venham dizer que são meias. Meia leca meia tigela meia de vidro, aquilo não aquece ninguém. Peúgos.
Serão precisos imensos na noite de Fim de Ano, para distribuir aos amigos. Começar o ano novo de pé virginalmente vestido é uma grande ajuda. Manipula o futuro no nosso sentido, muito mais do que aquelas ginásticas engolidoras de passas, que são perigosas. (Manipula? Pedipula.)
E não me venham dizer que são meias. Meia leca meia tigela meia de vidro, aquilo não aquece ninguém. Peúgos.
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trois trembles (4)
Pour la première fois de nuit, pour la première fois en hiver, il a fallu reprendre le chemin de l'hôpital aux confins de la ville.
Il y fait si chaud que mon père, malgré la pneumonie, porte sa chemise de nuit ouverte, et le tube à oxygène repose sur sa poitrine complètement glabre. J'ai toujours su que c'est de lui que je tiens ma chevelure épaisse, mais là, dans cette chambrée de vieux monsieurs qui s'endorment l'un après l'autre, je me dis soudain que si je ne dois m'épiler qu'une fois toutes les trente-six du mois, c'est peut-être à lui aussi que je le dois.
Je lui souris, et il me raconte en riant qu'au médecin grec qui lui demandait si, au cas où il mourrait, il acceptait qu'on tente de le faire revivre "avec des coups", il a répondu non. Aux autres questions, qui impliquaient l'autorisation de soins invasifs divers avant qu'il ne soit "tout à fait mort", il a dit oui.
Avant, mon père disait souvent "hôtel" pour "hôpital" et "secrétaire" pour "infirmière". Plus maintenant.
Il y fait si chaud que mon père, malgré la pneumonie, porte sa chemise de nuit ouverte, et le tube à oxygène repose sur sa poitrine complètement glabre. J'ai toujours su que c'est de lui que je tiens ma chevelure épaisse, mais là, dans cette chambrée de vieux monsieurs qui s'endorment l'un après l'autre, je me dis soudain que si je ne dois m'épiler qu'une fois toutes les trente-six du mois, c'est peut-être à lui aussi que je le dois.
Je lui souris, et il me raconte en riant qu'au médecin grec qui lui demandait si, au cas où il mourrait, il acceptait qu'on tente de le faire revivre "avec des coups", il a répondu non. Aux autres questions, qui impliquaient l'autorisation de soins invasifs divers avant qu'il ne soit "tout à fait mort", il a dit oui.
Avant, mon père disait souvent "hôtel" pour "hôpital" et "secrétaire" pour "infirmière". Plus maintenant.
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trois trembles
Dec 24, 2008
l'adjectif qui vient de Noël?
(edit noël 2010 : ne cherchez plus, en français, il n'y en a pas. il vous faut l'inventer. suggestions ici)
L'appart de P. sens-dessus-dessous pour les fêtes, je couche à la cuisine. Endormie dans l'odeur des Stolen et des petits choux, dont la dernière fournée est sortie passé minuit, nuit plus natalice tu rêves.
Je pense à l'an passé, et les deux manières sont matière de moi.
(edit noël 2011 : toujours pas. )
L'appart de P. sens-dessus-dessous pour les fêtes, je couche à la cuisine. Endormie dans l'odeur des Stolen et des petits choux, dont la dernière fournée est sortie passé minuit, nuit plus natalice tu rêves.
Je pense à l'an passé, et les deux manières sont matière de moi.
(edit noël 2011 : toujours pas. )
Libellés :
français,
missing words
Dec 21, 2008
not darwin, but dante
Hier soir autour de la table, tout le monde s'est évertué à retrouver quelle contrée de l'enfer porte un nom de fromage. En vain.
Libellés :
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parallel evolution
Dec 17, 2008
A caminho da coop,
começou a nevar.
Já me mudei para a cidade, ainda não parou. Amanhã tento a ausência que a neve faz nos desenhos.

Já me mudei para a cidade, ainda não parou. Amanhã tento a ausência que a neve faz nos desenhos.
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drawing
Dec 11, 2008
Dec 10, 2008
Protestant abyss
Yesterday I received a heavy letter.
"It takes a protestant country to print carrots on international stamps" wrote the Scout Sender, after more important matters. How true thought I, before really looking into the matter. But then I did... Remember me talking about shadow sides? Well and do you see the small inoffensive hole in the wooden board under the carrots? My eyes, long as winter nights, had to peep into it. And this is what they saw:
Can you guess where this church stands? Can you? You're right, Korpilombolo.
Ah, outra coisa completamente: o dono indiano da cyber-caverna, a quem pedia um scan das cenouras, como que congelou. Até gaguejou. Queria saber se eu era de lá, Sverige. Porque Sverige é onde ele quer ir, onde tem a família, Portugal é só o vestíbulo, o purgatório que leva a Sverige. Não sou de lá, não. Perguntou há quanto tempo estava cá. 20 anos, enrubreci, caindo de outros tantos degraus na escala da sua consideração.
"It takes a protestant country to print carrots on international stamps" wrote the Scout Sender, after more important matters. How true thought I, before really looking into the matter. But then I did... Remember me talking about shadow sides? Well and do you see the small inoffensive hole in the wooden board under the carrots? My eyes, long as winter nights, had to peep into it. And this is what they saw:
Can you guess where this church stands? Can you? You're right, Korpilombolo.Ah, outra coisa completamente: o dono indiano da cyber-caverna, a quem pedia um scan das cenouras, como que congelou. Até gaguejou. Queria saber se eu era de lá, Sverige. Porque Sverige é onde ele quer ir, onde tem a família, Portugal é só o vestíbulo, o purgatório que leva a Sverige. Não sou de lá, não. Perguntou há quanto tempo estava cá. 20 anos, enrubreci, caindo de outros tantos degraus na escala da sua consideração.
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Korpilombolo Project
Dec 9, 2008
The Royal Family
Except for a sunny intermission (remission would be more to the point) yesterday afternoon, i read one book for almost three consecutive days. One fat book. Couldn't sleep tonight and read, woke up soon and read, no coffee no breakfast, until it was over. But not done with. Hopelessness can be addictive.
Now I'm drunk-like and the sun hurts.
Now I'm drunk-like and the sun hurts.
Dec 6, 2008
Em pé na cozinha enquanto esperava que o cafe subisse.A tentar lembrar-me das palavras do sonho, no qual depois duma lenta tomada de poderes tinha eu abatido com três cotoveladas na cara três transeuntes cada um de sua cor (cor de flor, não cor de raça). Presa e levada escadas abaixo por um polícia, tinha não para me desculpar mas como se fosse uma explicação, feito um longo discurso sobre máquinas inventadas por nós humanos. Tantas, para tantos fins, mas só uma com valor: a máquina de costura.
Dec 3, 2008
Dec 2, 2008
Nov 29, 2008
3,8 million years, wasted.
In the New York Times, in an article about a new study by Harvard researchers on the premature deaths that could have been prevented if the South African government had provided antiretroviral drugs to AIDS patients and widely administered drugs to help prevent pregnant women from infecting their babies, this :
« The 330,000 South Africans who died for lack of treatment and the 35,000 babies who perished because they were infected with H.I.V. together lost at least 3.8 million years of life, the study concluded. »
3.8 million years ago, in that same South Africa, some apes very very slowly began to discover their front paws could be used for more then just locomotion. (Almost 2 million years later, they had hands with opposable thumbs and weren’t apes anymore.)
« The 330,000 South Africans who died for lack of treatment and the 35,000 babies who perished because they were infected with H.I.V. together lost at least 3.8 million years of life, the study concluded. »
3.8 million years ago, in that same South Africa, some apes very very slowly began to discover their front paws could be used for more then just locomotion. (Almost 2 million years later, they had hands with opposable thumbs and weren’t apes anymore.)
Nov 28, 2008
e-pifanço
Se me pifou a wifi partilhada com os vizinhos. Eis-me de volta as cyber-cavernas. Talvez seja mal que vem por bem: adoro teclar entre estranhos, batatas fritas e hortaliças. Esta caverna é indiana, no balcão a televisão sintoniza a CNN e a conversa rola por cima da minha cabeça, a volta dos ataques em Mumbai-city. Falam como quem sabe, o Taj, o Leopold, eles conhecem.
Nov 27, 2008
Uma vocação (e o seu sintoma)
Sempre que entra numa pasteleria, F. não resiste: vai direito a vitrina das tortas de aniversário e ali verifica a ortografia dos votos escritos à fio de chocolate em cada uma delas.
E ai do empregado se faltar nem que seja o acento de Parabéns.
E ai do empregado se faltar nem que seja o acento de Parabéns.
Nov 22, 2008
Nov 21, 2008
Nov 20, 2008
na minha rua
É a hora onde o céu ainda está violento com o poente de outono, mas nas ruas já é noite. Da mercearia surge uma voz jovem "estive a morrer no hospital e ninguém veio ter comigo. Agora não vou, não." Cheira a tangerina e urina de cão.
Depois, atrás da curva, quando a subida se torna coisa séria e os candeeiros enfraquecem, uma mulher de sari tenta apaziguar a birra do filho mais novo, quatro anitos teimosos num bibe amarelo. O míudo amua, bate com os pés, anda uns passos a frente. O irmão mais velho aproxima-se da mãe, e diz, baixo : "ele é o mais intelligente da escola".
Depois, atrás da curva, quando a subida se torna coisa séria e os candeeiros enfraquecem, uma mulher de sari tenta apaziguar a birra do filho mais novo, quatro anitos teimosos num bibe amarelo. O míudo amua, bate com os pés, anda uns passos a frente. O irmão mais velho aproxima-se da mãe, e diz, baixo : "ele é o mais intelligente da escola".
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night-fright from the future
Yesterday, coming back from having seen only half of "Still Walking" by Koreeda Hirokazu (the digital projector fried and couldn't be repaired), the face reflected in the train window was the one I'll have in 10 years.
Libellés :
dans le train,
english
Nov 19, 2008
Nov 14, 2008
Nov 13, 2008
mémoire du corps
au vestiaire les bébés danseuses occupent le banc juste à côté de moi. je les regarde et rien à faire, je n'arrive pas à me souvenir de ne pas avoir eu de seins.
Nov 12, 2008
Nov 9, 2008
premières langues
N. m'a apporté des navettes fendues comme des foufounes, dit-il, des vraies, des parfumées de la Rue Sainte, des miraculeuses, et ce soir je lui ai fait des langues de morues. On a parlé littérature.
J'ai plongé dans la chambre des cochons à la recherche de Ceronetti, j'en suis ressortie avec le Baluchon maudit et la Vie des saints du Jura. Ça a fait un mélange marrant qui allait bien avec le fromage.
J'ai plongé dans la chambre des cochons à la recherche de Ceronetti, j'en suis ressortie avec le Baluchon maudit et la Vie des saints du Jura. Ça a fait un mélange marrant qui allait bien avec le fromage.
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Nov 7, 2008
China
Aos pais que perderam o filho nas escolas que o terramoto fez ruir, o governo chinês deu licença especial para fazer outro, para substituir o falecido.
Lá ninguem tem irmão. Só os velhos se lembram do que é ter mana mano manos.
Uma nação de filhos únicos.
Lá ninguem tem irmão. Só os velhos se lembram do que é ter mana mano manos.
Uma nação de filhos únicos.
La cuisine, les garçons qui passeront peut-être avant de ressortir, le verre de vin. Je déploie des ailerons de paresse, mais gonflés pour prendre chaque brise la plus minus, pour combler un retard qui étrangement ne me mord pas. Je le croirais presque sensé. Atteindre au vite par la lenteur est une stratégie dangereuse. Mais là toute posée mollets tendus pour ce qui viendra, j'ai pas peur.
je devrais?
devrais pas.
je devrais?
devrais pas.
Nov 6, 2008
ce matin
Feux de sarments dans les vignes jaunies entre lausanne et genève. La fumée comme un animal malade rampe contre l'automne vif des peupliers.
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dans le train,
français
Nov 4, 2008
ein Blech Kekse, ein Boot, ein Brief.
Nichts war da, und jetzt ist's doch da.
Hände können laut und können leise.
Essen oder Katze kraulen, das kann jede Hand.
Eine braucht Minuten um die neue Leber zu nähen im alten Körper.
Manche Hand kann Tage brauchen
um den Weg zu finden zur Tür, im unbekannten Zimmer.
Nichts war da, und jetzt ist's doch da.
Hände können laut und können leise.
Essen oder Katze kraulen, das kann jede Hand.
Eine braucht Minuten um die neue Leber zu nähen im alten Körper.
Manche Hand kann Tage brauchen
um den Weg zu finden zur Tür, im unbekannten Zimmer.
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Nov 3, 2008
afinal o velho encanto
há uns dias, uma semana talvez, Emília inocente e distraída foi beber café num egipto de pasteleria. O jornal estava a mão, ela fê-lo durar. Na mesa do lado, dois moços duas moças, todos eles limpinhos e com ar de quem almoça as quatro porque o trabalho é muito, mas não cansa. Um dos moços, cara de se chamar Miguel, rosto longo, maxilento, olhos amêndoas em olheiras redondas, muito juntos entre orelhas imensas, tudo isto salvo de qualquer feiura por uma regularidade áspera de eremita bizantino, Emília viu de ver. Depois saiu e achou-se esquecida. Até que há pouquinho se perguntou donde que vinham aquelas maças-de-adão em todo e qualquer cara-de-homem que lhe saía da caneta, se nunca antes desenhou maças-de-adão. E lembrou.
ó cobra linda cobrinha vai-te do meu caminho
ó cobra linda cobrinha vai-te do meu caminho
Oct 31, 2008
éconocroque
il n'y a pas si longtemps, comme je lui demandais de venir m'aider au cérébral ménage, subzero a incliné la tête vers la gauche, et a souri à l'invisible, ce qu'elle fait très bien, l'animale. elle a dit: " la seule chose vraiment passionnante, dans l'ivresse du sudoku, parce que les chiffres passent vite et reviennent souvent, en boucles, en vagues, insensés, la chose passionnante c'est la façon dont ils prennent une identité, les chiffres. Une personnalité leur vient, on les reconnaît, comme des amis ou des voisins irritants ou dieu sait, mon sept est un jockey distrait et élégant, le cinq une espèce de robin-des-bois très raisonnable, le huit une marie-couche-toi-là qui se vend au plus offrant. selon qu'ils se pressent ou se dérobent, et dans quel ordre, un fil émerge, une ébauche de narrative. de temps en temps ils changent de caractère, on ne sait pas pourquoi, malgré tout ils continuent à se ressembler assez pour que ça crée une continuité et comme une épaisseur parfois moqueuse à cette sombre affaire qui n'en a nulle."
Il faut dire qu'avec elle, rien ne se perd. Elle vous recyclerait jusqu'à l'écume de ses hésitations.
Il faut dire qu'avec elle, rien ne se perd. Elle vous recyclerait jusqu'à l'écume de ses hésitations.
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subzero
Oct 25, 2008
harsh times
Dragons are fewer and fewer nowadays and Subzero was pondering on taking a side-job. (She can't let her cat go hungry, and if you think a cat can live on rose-petals and ear-wax, you don't know hers.) Emilia offered to hire her part-time to scare pigeons off her balcony, where they coo awfully distracting pigeon sitcoms. The Rainbow Scout, ever so thoughtful, brought the special scary hand-gear from Stockholm. That's what friends are for.
Oct 24, 2008
sagrado coração
ao fim da tarde o altifalante do externato invisível manda para casa meninos muito concretos:
16:33 Vasco Manteigueiro pode ir.
16:58 A menina Inês do quarto verde pode ir.
16:33 Vasco Manteigueiro pode ir.

16:58 A menina Inês do quarto verde pode ir.
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Oct 20, 2008
Oct 17, 2008
it's early, i'm hungry, i didn't do half of what i wanted, i didn't speak to any live person- one phone call doesn't count- oh, not true, the russian worker at my neighbour's wanted to know when i'm home so he can access the back wall trough my windows, doing beauty work, just hiding the holes, not really making it waterproof, i'm home monday, about my own work i still didn't abandon the idea that i will do it tonight but before i'll go and eat the rest of the pumpkin soup, this silly correction program only accepts capital i for me myself but this is ridiculous if i put a capital to You who am i speaking about?
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english
Oct 16, 2008
Quando descobriu que o seu médico tinha oito filhos, procurou outro.
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Oct 15, 2008
avant que mercredi soille jeudi
je m'excreuse le net à la recherche d'une photo de faîne (y'en a PLEIN, ce qui veut dire que y'a PLEIN de gens qui photographient des faînes, ça alors!) mais j'en trouve pas une qui montre la ravissante fraternité entre une faîne à demi ouverte et les oreilles d'un grand-duc hibou. Là, peut-être:
Non? ça saute pas aux yeux? C'est pour ça que je me désespère, ère, ère... D'ailleurs je sais même plus à qui je l'ai piquée, c't'akène, wiki probablement. Finir au trou pour un vol de faîne...
Non? ça saute pas aux yeux? C'est pour ça que je me désespère, ère, ère... D'ailleurs je sais même plus à qui je l'ai piquée, c't'akène, wiki probablement. Finir au trou pour un vol de faîne...
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