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Sep 3, 2013

climax, minnesota


 
 cheiro que deixa o corpo das pessoas, na cama : raposinho

Aug 28, 2013

enxacoco


que ou aquele que fala mal uma lingua estranha, misturando-lhe palavras da sua.



pois. aliás, enxacoca.
...

Jul 16, 2013

abcdeFg


F: O mundo divide-se em gente que cozinha com receita e gente que não tem precisão de receita. Não que estas segundas gentes inventem tudo a cada dia, não, alguma receita interna sempre terão, mas ela não está muito sólida.

Aguardente de má qualidade : Cachichi

F: Vai mudando, adapta-se ao contéudo do frigorífico, aos esquecimentos da lista de compra, e ao facto que o Malachias odeia manteiga. É um facto importante. Pode acontecer o Malachias preferir que a gente fosse da espécie com receita e então é uma chatice.

Agua russa : Azingre
Agua-russa que escorre das azeitonas : Albufeira, almofeira
Azeite de azeitonas verdes : Omphagino

F: Eu, algumas receitas tenho. Há uma coisas que não se aprendem sozinha e é preciso uma mulher algures numa cozinha. As vezes são homens estas mulheres. Por exemplo toda a gente sabe que dentro das azeitonas há um carroço. Mas quem é que sabe que dentro do carroço da azeitona, há uma amêndoa? Uma amêndoa minúscula que pisada dá uma pasta de encantar maridos. Quem sabe disto? As mulheres libanesas. A minha mãe de libanesa só tinha a cabeleira perfumada, e a mulher na cozinha da minha mãe nem isto. Tinha muitas coisas mas isto não. As vezes é preciso uma pessoa estrangeira para que a receita funcione.

Jul 14, 2013

a lista de sinónimos de morrer do meu pai


20 maneiras de amar dicionários, començando em Bebidas e acabando em Sufixos



Jun 25, 2013

um encontro ida e volta

 ida
volta

e entre as duas toda uma descoberta

Nov 1, 2011

sem descendência


flora brasiliensis


Uma doença  prende o velho dicionarista em casa. Está com sede, sempre.
Está com todas as sedes.
A sobrinha vem regar as plantas, mas há uma da qual ela não gosta, não rega.
- Esqueceste aquela.
- Não esqueci, não. É feia.
O homem ressequido morre sem poder ter bebido tudo. Passou o trabalho de organizar o mundo para a sobrinha. Ela não quer saber do assunto para nada.

Sep 23, 2011

dicionário analógico

Nada como uma olhadela ao dicionário analógico da língua portuguesa de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo para ensinar uma feliz humildade às mais empoleiradas zeroglotas... Agradeço infiniment a descoberta ao Francisco Buarque de Hollanda, filho do seu dicionariante pai, por lhe ter escrito um prefácio tão cheio de graça, que a revista Piauí o reimprimiu inteiro. Aí o li. Corri comprar. "Para embasbacar as moças e esmagar os meus rivais", como ele diz. Que é para isto que servem os dicionários.



.

Jun 15, 2011


O barulho da chuva no telhado de vidro do Real Gabinete Português de Leitura, bom durante as pesquisas, pior na hora de fechar, quando os funcionários estendem infinitas cobertas de plástico sobre o velho balcão maciço que já ninguém usa, sobre as mesinhas estreitas e pouco cómodas, e que a gente tem de sair. Pela porta aberta vê-se a rua molhada, o trânsito irritadiço das metropoles ao fim do dia.


A rua é rua de sebos. O primeiro me dá guarrida. Deus! Uma estante inteira de dicionários! O Font-Quer das minhas cobiças, mas numa edição porca dos anos oitenta, as suas tão precisas gravuras borradas.


Me ajoelho para as estantes rasteiras. Mais um dicionário de Botánica? Editado em Lisboa pelas Tertúlias Edípicas? Edípicas? Que têm por simbolo a esfinge, a egípcia? Abro, claro, e... quase um ano de trabalho se desmorona. Caquinhos no chão, e lá fora a chuva.
Enfim, ganhei uma esfinge, hão-de se abrir outros caminhos...

May 26, 2011

Lost in translation? Perdição paralela.

Para botánico, a eternidade pode estar em dar o nome a uma flor. Árvore, erva, musginho, tanto faz. Mais, melhor.
O fim da eternidade, esse, abrupto, pode vir por meio suave: tantos herborizando, dois deram o nome à mesma planta. Um tempo, os dois existem paralelos. Nascem mal-entendidos, a comunidade escolhe um. O outro? O outro cai em sinonimia.

May 22, 2011

"pessoas que aceitam a realidade como ela está não conseguem viver. Ou nos dá a vontade de nos envenenar ou temos de criar qualquer coisa"

Mar 28, 2011







quero espargata









Oct 18, 2010

hoje, tesouro

Oleo : caieput, cajeput, alcanfor, euchaleion
Oleo amarelo : ampelina
Oleo aromático : neroli, cafeona, minhamundis (oleo aromático com que se unge os que se fazem amoucos. Diccionario da lingua portugueza - Rafael Bluteau, Antonio de Morais Silva 1789 -  amoucos : do malaio )

 fazer-me amouca e ser untada.

Oct 4, 2010

o meu tesouro me diz que o crisantemo tem outro nome: despedidas-de-verão

(esta, sim, sim, é de Piet Mondrian, ele dos quadrados. ele cujo sonho de idade madura foi aprender a dançar, e nunca conseguiu mais do que um espezinhar rígido, mas também nunca desistiu)

Jul 23, 2010

BN- aventuras

Hoje andei às apalpadelas em volta do meu tesouro.
Primeiro na Biblioteca perto de casa, nada. Depois no palácio Galveias, nada. Foi na Biblioteca Nacional, (que por sorte minha e azar de muitos só fecha em Novembro) que encontrei as respostas. O escriba do tesouro andou a arrumar 3 dicionários. (Um, sobretudo, e dois um pouco.)
Quem faz tal coisa? Folhear três diccionários com atenção louca ( as vezes copia notinhas de rodapé do quinto sentido duma palavra) a procura de tudo o que seja minimamente relacionado com certos temas que interessam, e depois ir arrumando estas palavras por outras lógicas que não alfabéticas. Alias, quando há ordem alfabética, são as definições que a seguem.
Os diccionários?

Francisco Torrinha
MODERNO DICCIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA
ortógrafico, prosódico e morfológico
para os estudantes e para o povo
Livraria Simões Lopes
de Domingos Barreiras (editor)
Porto 1931

Jayme de Seguier
DICCIONÁRIO PRÁTICO ILUSTRADO
Livraria Chardron, Lello Limitada
Porto 1920?

José Timoteu da Silva Bastos
DICCIONÁRIO ETIMOLOGICO PROSODICO e ORTHOGRAPHICO DA LINGUA PORTUGUEZA
parceria Antonio Maria Pereira
livraria editor
Lisboa 1912

Fiquei lá 4 horas no incessante barulho das obras. De dez em dez minutos, a sombra dum avião atravessava a sala de leitura (luz-escuro-luz). Quatro horas não são nada em volta de 3 diccionários normais mais o manuscrito encontrado em Liverpool, para comparação.

(E preencher o formulário de autorização para levar um livro pessoal para dentro?
- Título?
- Não tem. Enfim, na capa diz: BEBIDAS.
- Ponha BEBIDAS então. Autor?
- Não sei.
- Ano de publicação?
- Não tem.
Alí, a senhora abandonou e me assinou o papel sem querer saber mais nada.)

Quatro horas não são nada.
Deu para verificar, sei lá, 50 palavras, nem duas páginas inteiras do manuscrito. Fui picando ao calhas, por curiosidade, uma palavra aqui, outra acolá.
Encontrei um só verbete, inócuo no meio do resto, que não consta de nenhum dos 3 diccionários.

Mel que cai do céu: aeromel.

Assim. Juro.

Jul 5, 2010

gracias a la vida

Nas escadas da Cidade de Liverpool encontrei un tesouro. Tesouro tesouro, mesmo. No lixo, como não podia deixar de ser. 380 páginas manuscriptas, retrato indirecto, pela tabela, de um desconhecido. Defunto talvez, provavelmente, dos defuntos é que se atiram as memórias à rua. As obras.
Ainda só li um pouco, muito pouco. Nó na garganta: estou a ler o que estou a ler?
Haverá notícias.

(Já há. Aqui.)