

I lost my mother-tongue. Drawing has other words. Et de plus la pagaille console.
Her name is Nadine but she likes to be called Penny. Her favorite smell is that of rotting lemons, but she says it's lily-of-the-valley. On week-ends, she learns poker to train her brain against dementia. As she's only nineteen, people believe she does it for the money and the kicks. Her answer is the sweetest of smiles.
(vue de dessus, je précise... Plus difficile à dessiner qu'à faire.)
1.um acordeão
qual cinco coisas, uma só:
há uma partida, mas é para amanhã.
(a foto de cima é de Cláudia Varejão, a gravura dum livro de Jules Verne. repara-se que aqui uma miudinha de saia de roda serve de equivalente branco a um enfeite de plumas)
Mais il y a autre chose. Egnatia. Egnatia. C'est quoi ce truc? Pourquoi est-ce que ce mot m'est si familier, si personnel? Ça me tarabuste, sorti de l'enfance. Je pense à interroger mes soeurs quand hop, la Grande Roue de la Mémoire me crache la bille gagnante. Putain, le ferry. Après c'est facile.
Il partait de nuit de Brindisi, et arrivait le matin à Corfou, Kerkyra de tous mes étés.
Perdus en préhistoire presque, les temps moins hypocrites où un satyre pouvait servir de mascotte... (cliquer sur l'image pour mieux zy voir)
tinha escrito assim uma salada pseudopoética, tirei. fica a imagem duma casa onde gostaria de passar uma temporada, e até, talvez, um temporal ou dois. lá bem no topo. tentei contar os andares, devem ser uns 25 ou 30.
Every time Emilia tries a self portrait, somebody else comes out of it. In the mirror, she follows her own nooks and lines, but no matter how carefully she works, in the end a stranger looks at her from the paper. Well, not really a stranger. This time it's a likeness of the lady who sells turf and garden earth outside the red mall. The one with the dirty nails.
...é que há uns tempos que já não consigo lá ir.
Sa patte avant droite avait été remplacée par une espèce de tuyau de poêle qui n'avait pas l'air souple du tout.
Outra vez o mesmo problema: Emília, ou Antónia. Uma alma protegida pelas suas sobrancelhas. Tem as sobrancelhas mais ferozes da Península Ibérica e a alma mais acolhedora. Na adolescência, sofrendo da pouca popularidade que o seu ar eternamente carrancudo lhe infligia, resolveu ir a estéticista, depilar o assunto até uma linha mais amigável. Aliás fomos todas. Ela saiu dali bela que nem uma princesa asiática (as das sobrancelhas curvadas como antenas de insecto) e...foi um desastre. Desatou sem querer a partir corações as dúzias, passava numa aflição dum namorado ao outro na ânsia de não deixar ninguém abandonado. Um desastre. Mesmo. Quando o pelo voltou a crescer, foi um alívio.
Difícil. Antónia? Emília? Certo é que tem uma irmã mais nova, a Suzana, que não pára quieta.
Suzana, claro.
E esta é a Mariana. É tão tímida, tão tímida, tão tímida, que acaba por ser quase sempre ela à dizer as coisas que ninguém tem coragem para dizer. Claro que precisa de alguma ajuda, e a gente costuma dizer que há duas Marianas. A que chega, e a que vai embora.
Agora o Filipe. Um retrato velho, ainda ninguém sabia do piquenique, nem das suas causas. A Mariana acha que foi tirado antes deles se encontrarem, não se lembra dele com tanto cabelo :). Filipe só sabe que comprou aquele pullover nos Pirineus, e que foi lá com ela. Portanto...
E este é o Bernardo, tinha a Antónia acabado de o convidar para o pique-nique. Desatou a cantar uma rockalhada de que nem se lembrava que sabia de cor. Coisas de praia. Depois foi à Net procurar receitas de petiscos que fosse de certeza o único a levar.
A sair penosamente dos pântanos infectos, resolvi acostar às Assolapadas pela porta do cavalo. Um retrato do Nuno duas semanas antes do pique-nique, quando soube que não tinha conseguido o emprego. Dez minutos depois ligou a Antónia a dizer que ela, sim, tinha sido escolhida, e ele ficou contente para ela.
Dans le métro (celui de Berlin, tiens!) un jeune homme parle à sa mère en chuintant doucement, dans un baragouin presque animal et très tendre. Cela me paraît "inversé" (c'est elle qui devrait lui parler ainsi), car elle a une petite trompe évasée à la place du nez qui l'oblige à renverser la tête pour pouvoir respirer, les yeux au plafond.
Les photos proviennent du bal des cinéastes amateurs, à l'hôtel Moreau de la Chaux-de-Fonds, en Suisse, en 1939.
"I'm sorry, I'd really like to come with you guys, but I can't. What? ... Oh no, everything is ok, just some work I have to finish."
A verdade é que nem as vi com olhos de ver, as mãos do osteopata. Estava eu tão concentrada em estar inteira debaixo delas, estas mãos, que nem me lembrei de abrir os olhos. Em troca a camada de cérebro que me serve de pele trabalhava a dois mil à hora. Basta que lhe tocam de certa forma em certos sítios, e hop hop hop lá se põe ela a iradiar mensagens líricas à todo o lado. Um disparate. Não há problema, até é normal, mas hoje o descodificador não queria funcionar. Acabei por dizer barbaridades e estou envergonhada.
This lady has been living with me for ages. In the eighties in Berlin, one filmmaker-apprentice was earning some money touching up prints in a photo lab that worked for the Bauhaus museum. Some prints that he liked but were too bad to work on (not that you would notice it), he brought home. This one I fell in love with, so much I asked for it. Her steady gaze has been following me ever since, over changes of homes and countries. Time passes, she's immune. She was a mature lady then, she's now something of a child. She's part of my life. I had forgotten her name. If asked, I'd answer she was a textile artist of secondary importance at the Weimarer school. Two days ago, I stumbled on her in the Internet. I stood still, actually shocked, like seeing your half-naked sibling's pic on a dating site.
Public privacy. One way to exorcise it.