May 26, 2009

assolapadas-testes câmara

Patricia e Leonor.

beleza interior dos banqueiros

Ao conceber o prédio da Almirante-Reis onde depois a agência do Millennium se instalou, o arquitecto pensou nas pessoas. Para a loja desenhou uma arcada, e até dois banquinhos de pedra para quem quisesse esperar à sombra.
Foram construídos, e ficaram, humanos e confortáveis.
Tanto, que de vez em quando paravam ali umas senhoras trabalhadoras. Muito discretas, nada de decotes ou ousadias aliciantes (a maior parte delas até já nem tinha idade para isto) Só quem as procurava é que reparava nelas.
Mas e a moral! e a imagem da empresa! Que fazer contre este flagelo?
Um breve brain-storming (em português BCP: mau-tempo-na-ervilha)resolveu o assunto:
Mandou-se eriçar os banquinhos de picos anti-putas (anti-toda-a-gente: basta ter rabo para já não se poder sentar).

May 25, 2009

nous tous

nous sommes ici comptés.
C'est une machine bien sûr, une théorie. Mais quand même. A regarder le compteur qui tourne, (ma tête tourne avec), conter raconter l'individu l'unique dans cette masse, mon métier, qui souvent me semble un métier de luxe, une broderie, prend soudain une impérieuse necessité.
Nous naissons à peu près quatre fois autant que nous mourrons. Drôle de nous, ce nous si vaste, ce nous d'espèce. A trois secondes par personne, il faudrait près de 700 ans pour prononcer les noms de tous ceux qui en cet instant sont vivants.

May 24, 2009

Some zero excuse

- Why didn't you come today?
- I've been overslept by a dream.

cultures of uncertainty

"If you want to succeed, double your failure rate" said Thomas Watson, an IBM pioneer.
"Hasard" and "azar" have the same etymology, the Arabic word for dice. The first is french and means "chance", with no implication of value, while the second is portuguese and means "bad luck".
Does expecting something has an impact on the probability of its happening?
If your brain can influence it (a cancer or a kiss) I'd say yes. If it can't, (winning the jack-pot or being run over by a car) no.
But then, French was my mother-tongue.

May 23, 2009

May 22, 2009

Sargaços

como conseguir
o desparate sem perder o sentido?
que me façam vigília os gordos que sabem os segredos.
não há segredos?
então que sopram os gordos.
todo o vento é pouco.

May 21, 2009

a good girl

Her name is Nadine but she likes to be called Penny. Her favorite smell is that of rotting lemons, but she says it's lily-of-the-valley. On week-ends, she learns poker to train her brain against dementia. As she's only nineteen, people believe she does it for the money and the kicks. Her answer is the sweetest of smiles.

May 20, 2009

Palma esquina Sao Tiago

l'auréole de pluches de graines de tournesol autour de la caisse de transmission sur laquelle étaient perchées trois très gaies prostituées roumaines, après qu'elles sont parties.

May 19, 2009

un grand pas pour l'humanité

A huit heure moins dix j'ai découvert que j'arrive à poser mes deux talons sur mon front.
Bon, ça demande un rien-du-tout de tortillaminis assez extrême, mais l'expérience est répétable, donc scientifiquement vraie de vraie. Ha ha.(vue de dessus, je précise... Plus difficile à dessiner qu'à faire.)
(plus tard: Horreur! est-elle digne de ses pouces opposables, celle qui les dessine inversés?)

May 16, 2009

back to zero

enough lusitanian monolingual monologue.
today the jacarandas.

Each tree a hole of color, blurred,
a blue that is pink.

May 15, 2009

Apenas 5 coisas para uma Ilha Deserta

Sabe-se antes de partir para que ilha é que se vai?1.um acordeão
2.um cachorro pequeno
3.uma saca de sementes e graínhas, árvores, flores, legumes, de tudo um pouco, de tudo.
4.uma colecção completa de manuais de aprendizagem de linguas (palimpsestando com concha velha, também serve para desenhos e notas, e etc)
5.um forno solar (vêm com panela...)


ou... qual cinco coisas, uma só:
1. uma taça daquela massa ciente e sonhocreadora de Solaris (nas crença e esperança que cresça tipo kefir...)
bem, e talvez
2.um gato pequeno de bigodes grandes
...
...
3. uma dose daquele veneno-mata-gente-seguro-rápido (ah mas caraças depois o que será do gato?)

May 12, 2009

assolapadas

há uma partida, mas é para amanhã.
para já ninguém mexe.
o estrangeiro é uma semente, um instilador de movimento.
diminuta coreografia, as relações se exprimem pelos corpos, amparos e desamparos.
(a foto de cima é de Cláudia Varejão, a gravura dum livro de Jules Verne. repara-se que aqui uma miudinha de saia de roda serve de equivalente branco a um enfeite de plumas)

May 11, 2009

batalha de meia estação

em mi casa de cinzas, desde manhãzinha:
Cheiro à Pimento Assado contra Quinto Dia de Chuva!
a luta vai chocha e muito igual
quando de repente
Lata de Pimentón Picante la Odalisca cai e explode no chão da cozinha:
a inesperada vencedora en su nuvem ruíva
atira sonrisas a assistência!
o dia está salvo, a primavera já se vê.

May 10, 2009

ilhas assolapadas

e desencantadas, também?
o amor tem peso próprio e até como dizem no instituto do sangue diametro abdominal. amor novo tira medidas, amor velho reconhece. aqui se confundem, e assim confudem.

ao fim e ao cabo de assolapadas não têem nada. no momento que se conta não têem. talvez que depois sim. assolapadas como uma promessa.
como é que é isto do último amor?

left-pawed, heavy-lided, 30 seconds dog

(cadela amiga de identidade confusa)

May 8, 2009

May 7, 2009

Egnatia

L'autre jour, dans un article quelconque, les mots: Via Egnatia. C'est la voie romaine qui allait de la côte Adriatique à Byzance, le corollaire moyen-oriental de la Via Appia. Assez pour avoir l'oeil qui rêve et, dans le placard, le soulier qui frétille.Mais il y a autre chose. Egnatia. Egnatia. C'est quoi ce truc? Pourquoi est-ce que ce mot m'est si familier, si personnel? Ça me tarabuste, sorti de l'enfance. Je pense à interroger mes soeurs quand hop, la Grande Roue de la Mémoire me crache la bille gagnante. Putain, le ferry. Après c'est facile.Il partait de nuit de Brindisi, et arrivait le matin à Corfou, Kerkyra de tous mes étés.Perdus en préhistoire presque, les temps moins hypocrites où un satyre pouvait servir de mascotte... (cliquer sur l'image pour mieux zy voir)
On a dû le prendre 3/4 fois, le Egnatia, entre 64 et 72, de Brindisi à Corfou, où ma grand-mère Lotte vivait la moitié de l'année. Lors de mon dernier voyage, elle avait comme d'habitude bourré sa bagnole de bulbes de fleurs, interdits d'importation, et nécessaires à son jardin. Elle riait, personne ne contrôle une vieille dame. Ces bulbes, elle les partageait avec un vieil architecte égyptologue fascinant qui vivait seul dans une maison de sa plume: à lui tout seul, il possédait une piscine remplie de nénuphars et de serpents d'eau, un arc zen qu'il pratiquait nu et un téléscope sur le toit. Nous, les gamins, avions l'autorisation d'y aller une fois, pour voir la lune, mais seulement à partir de 10 ans. Il n'avait pas grande patience pour les petits, nous disait-on. J'ai toujours relié ça à la seule autre chose que nous savions de lui: il avait perdu toute sa famille dans les camps. Trop petite, je n'y comprenais rien, et voyais ça comme un immense incendie.

(The map:Eric Gaba/Creative Commons Attribution ShareAlike 2.5 License.)

May 6, 2009

Brasas

decores
personagens
só falta a sinopse

May 5, 2009

Things to do before I die

ver,
c'estes olhos qu'a terra há de comer,
uma jaboticabeira em fruto.

em flor também dá.

palavra que, se não acorda defuntos, falta pouco. jaboticabeira

Faces

May 4, 2009

Faces

falam falam e dizem pouco mas ouve, e olharás.

calar-se em lingua estrangeira

"Vielleicht weil es zwischen Lynn und ihm nur die englische Sprache gibt, so daß er das eine und das andere, was es sonst ausprechen würde, aus Faulheit nicht ausspricht, fällt ihm in ihrer Gegenwart mancherlei ein, was ihm sonst, wenn er's aussprechen könnte, gar nicht einfällt; es ist ein Unterschied, ob man in einer Fremdsprache oder in der eigenen Sprachen schweigt: schweigend in der Fremdsprache verdränge ich weniger, das Gedächtnis wird durchlässiger..."
Max Frisch in Montauk

edit august 2009:

"Jede Sprache hat ihr eigenes Schweigen"
Elias Canetti

May 2, 2009

Le samedi après le premier mai

Un jour férié et très très doux. Sur Almirante Reis, l'avenue des immigrés, le boulevard des solitaires, les regards se cherchent comme des mains, avides et éternels.
Largo do Intendente, par contre, les putes s'emmerdent. Plantées à dix mètres l'une de l'autre, elles se déhanchent un peu, chantonnent chacune dans sa langue, l'Afrique est grande.

Apr 30, 2009

5:33. premier oiseau.

Apr 29, 2009

the ole serpent is here again

At the heart of the crippling doubt, there is a small hard kernel of confidence that what I'm trying to do is worth it.
and of course, at the heart of that saving confidence, there is a small hard kernel of crippling doubt that whatever I'm trying to do is plain bullshit.
but then again...

Apr 27, 2009

no relation whatsoever

tinha escrito assim uma salada pseudopoética, tirei. fica a imagem duma casa onde gostaria de passar uma temporada, e até, talvez, um temporal ou dois. lá bem no topo. tentei contar os andares, devem ser uns 25 ou 30.
mas facto é que ando tão perdida tão perdida que até aceitava uma boleia numa destas gaivotas cor-de-babygro. A gente se desencalha com o que for preciso. E não se pode nadar até aonde vou.
(o lago é o do parque de Ueno, em Tokyo. o prédio nunca o vi mais perto. cérebros têm olhos por demais)
((a palavra certa não é perdida. a palavra certa é borrada de medo. a ver se tenho coragem de a deixar aqui de rabo ao léu mais que umas horitas))

Apr 26, 2009

faltam 30 minutos de sol e umas 6 horas de trabalho

Nesta altura do ano, quando o sol está mesmo para se deitar, ilumina de viés a mesa onde trabalho. É luz de perto do fim, luz que não ofusca, delícia que me faz esticar o pescoço para a aproveitar mais uns segundos, e até dá a minha sombra na parede o ar de ser de alguém sério. A mim, que sempre fui da manhã mas de há uns tempos para cá parece ser nas escuridões que melhor avanço...

escalade domestique

ce matin, inopinément, ma souris est devenue deux souris.
(et une timide plus une timide font deux culottées).
à mon plus grand regret, je me vois donc contrainte à passer aux armes conventionnelles.
et c'est ainsi que va le monde.

Apr 25, 2009

Apr 23, 2009

O dela sim.


O qué? O teu umbigo não tem pestanas?

Apr 21, 2009

Une vieille dame seule en chemise tilleul vient fumer sa clope au bistrot. Elle marche en s'appuyant sur une belle canne au pommeau d'ivoire, mais dont le bout est aussi mãchouillé qu'un crayon d'écolier.
Je me demande depuis quand son petit chien est mort.

drawing rules for the week

no faces only
no hesitation
light from strange places

(god i'd love to be able and go to madrid see the shadow show)

Apr 20, 2009

discipline

entrer.
rester.
rester.
rester encore.
sortir.

revenir.
(de l'extérieur ça n'a jamais l'air drôle)
entrer.
dedans, si on ne bouge pas, on a envie de ressortir.
on bouge.
c'est simple et difficile.
parfois on arrive à rester.
rester encore.
sortir.

Apr 19, 2009

a sentença final

"Pranzo di Ferragosto" começa com o protagonista a ler Dumas à sua mãe para a ajudar a adormecer. A criatura que traduziu (três vezes) "D'Artagnan" por "D'Artacão" será condenada à traduzir as listas telefónicas portuguesas de 1995 ( a época áurea!) em todas as linguas da Europa dos 28. E se confundir Coelho com Lebre ou Sobreiro com Castanheira, nem que seja em slovénio, toca a recomeçar! Para o todo o sempre!

Apr 17, 2009

Liebe

« Sie ist ein Gleichgewichtszustand. Er beruht auf der Erlaubnis sich nicht zu schämen. Diese Erlaubnis ist leicht zu sperren. Nichts verwandelt sich so rasch in ein Verbot wie Liebesoffenheit. Darin liegt die Verletzlichkeit » Alexander Kluge in die Lücke die der Teufel läßt.

Apr 16, 2009

projecto de telenovela

episódios:
- rancor e candor
- um vai decalço, o outro não
- aulas de rumo
- tristeza terrivel de corpo inteiro
- retiro dos cordeiros
- reinos combatentes
- sexo como arte marcial
- não, como gramática
- capitais impatientes
- a brincar todos os santos ajudam
- o mais útil segredo
- o rally paper no inferno
- mapa do asilo
- primaveras e outonos

ruptura (fragmento)

...falar consigo é como falar ao telefone: o seu rosto não exprime nada, o seu corpo fica mudo, imóvel. olho para si à procura do que pensa, nem uma sobrancelha lhe treme, fico cortada das suas reacções, se é que as tem. vozes nunca me chegaram e você conseguiu calar o seu corpo duma maneira que me torna cega...

Apr 13, 2009

my own private easter bunny

les choses qui cavalent seraient-elles à quatre pouces plus faciles à attraper?

Apr 12, 2009

sunday surprise

Every time Emilia tries a self portrait, somebody else comes out of it. In the mirror, she follows her own nooks and lines, but no matter how carefully she works, in the end a stranger looks at her from the paper. Well, not really a stranger. This time it's a likeness of the lady who sells turf and garden earth outside the red mall. The one with the dirty nails.

Apr 10, 2009

Os caminhos do costume
já não vão dar à lado nenhum. Deve ser do mapa em segunda mão.

A verdade

...é que há uns tempos que já não consigo lá ir.
(tudo, cada passo cada traço, uma tentativa de provar o contrário.)

Apr 9, 2009

O importante

... é estar às vezes no sítio onde nascem as coisas

Apr 8, 2009

aujourd'hui

j'ai vu la photo d'une éléphante avec une prothèse. Sa patte avant droite avait été remplacée par une espèce de tuyau de poêle qui n'avait pas l'air souple du tout.
Y'a des jours comme ça, où je m'identifie illico à la première éléphante venue.
Celle-ci réapprenait à marcher, vers son gardien accroupi devant elle, une gourmandise d'éléphant à la main.(Moi qui croyait qu'on s'accroupissait devant les enfants parce qu'ils sont petits... enfin, quelqu'un qui apprend à marcher est peut-être toujours petit.)

Apr 7, 2009

left-over of daily deadly danger

such a strange organ the brain with no switch-off.
lids are necessary to somehow shut away the input.
ears? they continue their hearing task non-stop,
and the skin feels and feels always.

but
will you come to my party?

Apr 6, 2009

- és o X.?
- não.
- mas na televisão disseram que vestia calças vermelhas e tu vestes calças vermelhas.
- e então?
- então não é muito commun. tens a certeza?
- do quê?
- de que não és X.?
- é importante para ti, encontrar o X.?
- gostava muito, era uma coisa para me lembrar em Setembro.
- a tua memória funciona pior em Setembro?
- Setembro é quando partem todos e fico com tempo a mais. Quando é assim, a memória precisa de material, e este seria bom material. como reconheci o X, como meti conversa com ele e acabei por ter certeza, como consegui telefonar sem levantar suspeita... tantos episódios bons de se lembrar.
- estou a perceber. e da chegada da polícia, o que é que te lembrarás?
- da tua paciência, que sabias que vinham e mesmo assim esperaste por eles para me dar este gosto de Setembro.

Apr 3, 2009

fermé pour nettoyage de printemps

Mar 30, 2009

o prazer fútil de matar

Ontem dois homens foram julgados no Porto. Tinham morto um amigo para lhe roubar dinheiro, e violado a companheira dele. Um deles foi absolvido, por ser inimputável, o outro condenado a 15 anos de prisão efectiva por roubo agravado por morte, sendo absolvido da acusação de homicídio "por não ter ficado provado que tenha agido com intenção de matar ou pelo prazer fútil de matar" lê-se no acordão, diz o artigo.

A futilidade como pecado último. (A frase soa mais a pecado que a crime.) Se o prazer tivesse provado fútil, o homem teria levado com quê? Prisão perpétua?

A presença do adjectivo me incomoda. Significará que há outro prazer de matar, um que não é fútil? Um que é aceitável?

Lembro-me do merceeiro da minha rua, um dia, a comentar uma caçada:
"sou como toda a gente, gosto de matar". Deixei de fazer compras na loja dele. Espalmar mosquitos é a única modalidade de matar a qual consigo associar a ideia de prazer.

Ou será simplesmente a junção das duas palavras que me cria uma espécie de embaraço moral? Matar e fútil. Não cola. Só a ideia mete nojo. Consigo imaginar um prazer de matar, uma inundação de poder, uma embriaguez de violência, mas fútil? Mesmo um sádico não é fútil.

"Não agiu pelo prazer de matar" teria chegado para explicar a motivação do magistrado.
Aquele "fútil" é uma janela no homem, neste homem em particular (nesta mulher?) por onde vejo tal proximidade com o assassinio que peço por favor que os acasos da vida me protegem dalguma vez ser julgada por pessoa que escolhe tais palavras.

Mar 28, 2009

there sometimes is a beauty of the worthless.
there is no such thing as a worthless beauty.
so?

Mar 27, 2009

Super-power, at least

Spring is all over the place. Walking home at dusk, almost at her doorstep, Emilia sneezes her scatterbrain sneeze; and all the street lamps go ablaze.
Some welcome.

Mar 26, 2009

piquenique

Naquela tarde, nas Ilhas, o que é que se comeu?
Melãncia, isto sim. E que mais?
Quem se lembra?

Mar 25, 2009

Treasure-trove, green line

Entering the subway at rush-hour, a surprise: today is one of the very rare and precious days when every face is a miracle, every curve of the lip a mystery, every lid something I'd like to stop and watch, like you watch things happening.
Soleil voilé. Ça tonne au loin, le premier orage de l'année. Les deux orangers de la cour fleurissent comme jamais. Leur parfum a fini par chasser les effluves du poisson de midi que l'ébéniste du rez-de-chaussée grille dans son atelier. Merci

Mar 23, 2009

valeurs sûres

Défiant cet ãge sinistre où tout se rétrécit,
le popotin de l'hippopotame, lui, grandit.

Mar 21, 2009

family ties

In each of zeroglotte's languages, there is a word for somebody who loses her parents: orphan, orpheline, orfã, Waise. And there is for one what you become if you lose your spouse: widower, veuf, viuvo, Witwer.
But if your child dies, there is no word for that.
Of course you have only one set of parents, and, at least traditionally, only one spouse, while you used to have a whole bunch of children and it was expected that not all of them would grow into adults.
With so many neologisms of all kinds, nobody wants to invent that word. Keep harm out of the way. Nobody needs it.

Mar 20, 2009

Flora sino-tuga

Com mímicas e palavras, tento explicar a fruteira chinesa o que é um espargo. Ela não vê. Insisto, uma cliente mete-se na conversa. Nada. De repente, a sua cara ilumina-se. " Sim! Fininho! Parecido bambu!".
Isto! Era só encontrar a imagem certa.

Aparte: Assim em geral, os donos das lojas chinesas, de 300 e supermercados alimentares, não falam português. Os que compram e vendem legumes e fruta, coisas que os obrigam a negociar com gente de cá, obviamente, falam.

walking to the movies

On the sidewalk by the ruined brewery, a colt-legged teenager and two giggly girls, tied by a shared ipod, play make-do soccer with an inflated condom.

Mar 19, 2009

Ilhas Assolapadas 8

Outra vez o mesmo problema: Emília, ou Antónia. Uma alma protegida pelas suas sobrancelhas. Tem as sobrancelhas mais ferozes da Península Ibérica e a alma mais acolhedora. Na adolescência, sofrendo da pouca popularidade que o seu ar eternamente carrancudo lhe infligia, resolveu ir a estéticista, depilar o assunto até uma linha mais amigável. Aliás fomos todas. Ela saiu dali bela que nem uma princesa asiática (as das sobrancelhas curvadas como antenas de insecto) e...foi um desastre. Desatou sem querer a partir corações as dúzias, passava numa aflição dum namorado ao outro na ânsia de não deixar ninguém abandonado. Um desastre. Mesmo. Quando o pelo voltou a crescer, foi um alívio.

Ilhas Assolapadas 6 e 7

Difícil. Antónia? Emília? Certo é que tem uma irmã mais nova, a Suzana, que não pára quieta. Suzana, claro.

Mar 18, 2009

Ilhas Assolapadas 5


Eduardo. Caraças. Eduardo antes de adormecer. Antes de começar a esquecer-se das coisas.

Why do I never stop hoping for late-night messages?

Or bright-light messages, for that matter.

Ilhas Assolapadas 4

E esta é a Mariana. É tão tímida, tão tímida, tão tímida, que acaba por ser quase sempre ela à dizer as coisas que ninguém tem coragem para dizer. Claro que precisa de alguma ajuda, e a gente costuma dizer que há duas Marianas. A que chega, e a que vai embora.


O que se passa pelo meio é que interessa. Há anos que Filipe repete que não tem paciência, que já não sabe o que está a fazer com ela. Mas a gente sabe.

Ilhas Assolapadas 3

Agora o Filipe. Um retrato velho, ainda ninguém sabia do piquenique, nem das suas causas. A Mariana acha que foi tirado antes deles se encontrarem, não se lembra dele com tanto cabelo :). Filipe só sabe que comprou aquele pullover nos Pirineus, e que foi lá com ela. Portanto...

Mar 17, 2009

Ilhas Assolapadas 2

E este é o Bernardo, tinha a Antónia acabado de o convidar para o pique-nique. Desatou a cantar uma rockalhada de que nem se lembrava que sabia de cor. Coisas de praia. Depois foi à Net procurar receitas de petiscos que fosse de certeza o único a levar.

Ilhas Assolapadas - 1

A sair penosamente dos pântanos infectos, resolvi acostar às Assolapadas pela porta do cavalo. Um retrato do Nuno duas semanas antes do pique-nique, quando soube que não tinha conseguido o emprego. Dez minutos depois ligou a Antónia a dizer que ela, sim, tinha sido escolhida, e ele ficou contente para ela.

Mar 15, 2009

mais gripo-filosófia fundamental

A gripe reduziu-me os sentidos ao básico (não confundir com o essencial) de tal forma que agora não mo posso esconder mais: esta vida de intelectualismo emancipado desafreado foi só loucura de juventude. Ao fim e ao cabo sou mulher-bicho, daquelas que se passeiam no paleolítico, e nos textos da Igreja: um animal sensual e pouco mais. Pensar para quê? O cérebro serve mas é para descodificar toque olfacto sabor ouvido.
Viver sem mata-me. Enquanto viver sem pensar, uma gaja nem se dá conta, né? Não pensa.

Mar 14, 2009

Mal por bem, trem, trem, trem.

A única vantagem desta constipação é que o meu corpo, todo mobilizado em eradicá-la, esqueceu-se por completo do esquema de castigo pela vida computerizada que teima em levar a cabo no meu ombro. Há dez dias, a dor começou a mingar, agora já não me doí nada. Nada. Havia anos.
(Há outra vantagem, mas não sei se posso dizer. Bom, vá, digo: Há ventos que sopram prédios abaixo, vagas que os levam, terramotos que fazem ruir etc etc. Eu, hoje em dia, por mero poder bronquial, tusso casas abaixo. E não qualquer uma. A sede da Caixa Geral de Depósitos. Sim. Se não caiu, foi por pouco. Tossindo descontroladamente, tive que fugir do pequeno auditório ao meio do filme. Tudo tremia no clamor dos meus bramidos. Afastei-me por corredores sem fim, sentia literalmente as camaras de vigilência virar-se para mim uma a seguir a outra, a perfurar os meus já esfarrapados pulmões. Por fim cheguei a uma casa de banho metálica onde consegui afoguar o ruidoso bicho debaixo da torneira. A casa acalmou. Repito, foi por pouco que não ruiu. Já se viam rachas nas paredes.
Depois, fiquei a saber que neste meio, as notícias correm velozes: O lobo mau já me propus emprego, mais dois ou três assaltadores cobardes. Pagam bem, o que hoje em dia não é de desprezar. Enfim, pagar... com esta gentinha, é mais participar nos lucros, se os houver.
Vou pensar.
Mas acho que o trabalho dos meus pulmões não está a venda.)

Mar 10, 2009

Mon rhume m'a offert un rêve étrange.

Dans le métro (celui de Berlin, tiens!) un jeune homme parle à sa mère en chuintant doucement, dans un baragouin presque animal et très tendre. Cela me paraît "inversé" (c'est elle qui devrait lui parler ainsi), car elle a une petite trompe évasée à la place du nez qui l'oblige à renverser la tête pour pouvoir respirer, les yeux au plafond.
Assise en face d'elle à cõté du fils, je vois à l'intérieur de cette trompe, joli tube charnu et humide comme une espèce de chanterelle qui serait faite de la chair d'un hippopotame nouveau-né. Les photos proviennent du bal des cinéastes amateurs, à l'hôtel Moreau de la Chaux-de-Fonds, en Suisse, en 1939.

Mar 9, 2009

back to bigode

I woke with the voice of somebody else. A man's voice, deep and rough, a lovely baritone (or so i think). Lovely, because, to my eternal despair, I usually express myself in a squeaky girlish tone that only has one good side: if I really have to make myself heard in a crowd, everybody turns around. In dismay at the high squeal, but they turn, and listen. I use it as little as possible.
So now this voice comes out of me, the next best thing to surgical sex change, cheap. Not that I ever wanted one, but it's so so terribly self-sexy that I have been reading aloud most of the afternoon. Reverberating, vibrating, wow.
(Dylan Thomas. The rhythm of him. And since even without the fever i only understand half of it, it's just pure pleasure.)

This is what's left of the hospital where I got acquainted to real fever. Not-a-spot-of-quiet fever, everything moving, changing, transforming, patterns and colors being born from each other. After 3 weeks, the fever receded, but the walls wouldn't keep quiet. I felt separated from the world. I remember beginning to wonder: would the cello-tape around me ever go away? Would things keep their places again?
I walked out of my room in my nightgown, very slowly. Nobody tried to stop me. Then out of the door, to the nearby forest. I crawled under a small fir, amongst the needles, the low branches making a child's hut. I stayed there for what seemed the longest time, breathing the resin smell, hidden to everybody, trying to understand if reality would ever touch me again.
I was 13 then, and now the ivy has invaded the staircase to the lab.
Later: Not 13, no. 14 at least. This was after the Creta Holidays, and I already had the motorbike I was going to be run over riding...when? maybe 6 months later? A real hospital year, that one.

Mar 2, 2009

el arte del birlibirloque

Passei a tarde a arrumar os livros do meu pai.
E a noite na cozinha caiu-me uma noticia absurda, susto e alivio, que ainda nao tenho bem palavras para descrever mas quer-me parecer que va influenciar os equilibrios da minha vida um bom bocado.

Feb 27, 2009

S'étonner de la bienveillance des membres du groupe jusqu'à l'instant où il s'avère que chacun s'avance plus ou moins sur les mêmes pieds d'argile.

Feb 25, 2009

le grattement de la pelle à neige

Le soleil bas inonde le bureau de ma copine, couvert -c'est son métier- d'articles sur le zéroglottisme. en particulier tout un numéro de babylonia, sur l'attrition de la langue-le revers de la médaille du plurilinguisme. Ça comence bien: attrition... pour moi ça veut dire résistance de la matière, usure. Alors que Sprachverlust, perdita : nous y voilà!
Mais je voulais parler d'autre chose. Je voulais parler de l'homme du train. Du très très bel homme dans le train. Il lisait un journal gratuit germanophone, si concentré qu'il ne levait pas les yeux. J'en ai profité. Sa beauté était de celles qui accueillent, tranquille. Pas une petite affaire. Des os larges, des espaces définis, tout en lui calme et précis. Un repos qui n'excluait rien.
Bref trajet, gare terminale. Je suis descendue avant lui. Je n'ai pas sa patience.
Sur le panneau d'affichage, j'ai trouvé ma correspondance. Je me suis retournée: il était derrière moi, mon cahier à la main.
"C'est à vous ça? Je l'ai trouvé sur la banquette"
Sa voix lui allait bien.
""Oui! Merci!... Vous me sauvez la vie."
Il a souri, est reparti.
Ce cahier contient six mois de notes pour un nouveau film.
Trouver, perdre, retrouver.
Quelque chose en moi est prête à prendre plus de risques que je l'aurais imaginé.

Feb 24, 2009

sos

il est tôt, c'est comme s'il était tard.

(il faut dire que j'ai passé la moitié de la soirée à écouter une retraitée de la Poste qui racontait les cours de sexe tantrique auxquels elle a assisté en Inde. L'autre moitié a été réservée à la comparaison détaillée de la recette de bortsch d'Ana avec celle de Mariana)

Feb 21, 2009

anti-pickpocket

Nesta zona, até os supermercados são sinistres. Este está numa cave, e a mulher penava para subir as escadas. Içava as compras, um saco pesado, um degrau de cada vez. Corrimão, bengala, degrau, saco, corrimão, bengala...
Sem pedir mais licença que um olhar, Emília pegou no saco e depositou-o em cima das escadas. A mulher agradeceu. Palavra puxa palavra, Emilia acabou por acompanhá-la até casa, ali pertinho, mesmo atrás da sopa dos pobres.
À porta da rua, o medo e a desconfiança ficaram mais fortes que a necessidade, e Emilia despediu-se. Mas a Dona Palmira, com os seus 230 euros de reforma, não queria que ninguém ficasse seu credor.
Após muito vasculhar no porta-moedas, tirou 50 cêntimos. -Dá para um café, não dá?
-Dá, sim, mas eu não quero. Isto foi de boa vontade.
Não houve como, teve de aceitar. Pegou na moeda, 0,2% da tal reforma.
E agora?...
Emilia sorridente prolongou os agradecimentos, olhos nos olhos com dona Palmira... com o coração a bater e os dedos a procura por baixo do braço da senhora, curvado sobre a preciosa mala, até encontrar a racha do bolso e conseguir que a moeda caisse de volta onde pertencia.
A dona Palmira, louvados sejam deus e mais algumas entidades menos badaladas, não se deu conta de nada.
Então Emilia afastou-se triste.

Não dever nada a ninguém! Honra e orgulho. Lindo, sim. Mas que porra de burrice.
Não espanta que as donas Palmiras estejam a morrer de solidão.

Feb 17, 2009

Things to do before i die

Seeing the day break over the ocean at the origin of time
(man-made time, that is, Greenwich + 12, in the Russian far-far-east).
bragging about lost skills

Feb 16, 2009

Tarductora

Quando devia preocupar-me com traduzir amantes silenciosos e aceitar catastrofes em nome de outrém, deu-me para comprar as primeiras favas do ano. Tao finas e frescas e nem eram caras. Descasca-las ainda me deixou perder meia horita.

Agora tenho as maos a cheirar a verde e um atraso dos diabos.

Feb 15, 2009

vieille note to self (Jo, Zette et Jocko)

Conscience toujours présente de la fragilité de la moelle épinière, petit fil qui passe par le petit chas d’entre les vertèbres et s’il est cassé Apollo 13 ne répond plus ni même le Manitoba.
(C’est où le Manitoba ? Au Canada dry)

Feb 14, 2009

To all sirenians out there, join DALAB now, it helps.

as of tonight:
1 female writes her
222th post
3 half-hours before going to a chinese dinner of
4 different dishes,
5 walking minutes away from home,
6 or
7 or even
8 hours before going to sleep, depending on how fast the
9 pages she decided to finish today will be written.


I just joined DALAB (Draw A List Against Blubber). They had this irresistible add...


BLUBBER
v.i.: To sob noisily. See Synonyms at cry.
v.tr.:
1. To utter while crying and sobbing.
2. To make wet and swollen by weeping.

and

BLUBBER is also the thick layer of vascularized fat found under the skin of all cetaceans, pinnipeds and sirenians.

Feb 12, 2009

brain again

"I'm sorry, I'd really like to come with you guys, but I can't. What? ... Oh no, everything is ok, just some work I have to finish."

Feb 11, 2009

hoje, compras

A porta da rua bate. Nas escadas do prédio, o perfume da minha vizinha faz-lhe como que uma irmã mais nova, que a segue perguiçosa, vestida de amarelo narciso.

Na caixa do pingo doce, uma mulher apressada, vinda de fora, cumprimenta a empregada e murmura-lhe qualquer coisa ao ouvido.
- Não temos, responde ela.
- Mas não faz falta?
- Faz...
- Pois, há necessidade, remata a apressada.
Imagino o óbvio, a casa de banho, mas ela continua:
- Vai piorar muito. O código do trabalho foi aprovado. 12 horas de trabalho por dia...
A caixeira assusta-se. Volta a contar o meu troco. A recém-chegada debruça-se, mais murmúrio, não consigo ouvir.
- Não, não. Acho que não, responde a caixeira, não tenho vida para isto.
Um senhor vesgo surje das profundezas do supermercado, vem direito à mulher apressada :
- A senhora, o que deseja?
- Sou do sindicato.

Feb 10, 2009

Il portait sa mémoire devant lui comme certaines femmes leur trop riche poitrine, talon d’achille et bouclier, ensemble.

Feb 8, 2009

Mighty mouse e o alívio

O meu ratinho caseiro teve noite de Sísifo: primeiro fez cair o abacate do cesto da fruta. A grande custo, o cesto é fundo. Do tampo da mesa para o chão. Dali pela cozinha toda, patinha atras de patinha, um abacate de redondo não tem nada, roda pior que sei là, até à entrada do seu buraquinho. Onde o fruto não coube, nem neste sentido, nem no outro.
Encontrei-o ali abandonado, amachucado. Assinalando a morada roedora melhor que uma seta piscante...
Lembrei-me que pudesse ser mau augúrio, afinal hoje... mas logo o rádio trouxe notícia: os suiços votaram para a recondução da livre movimentação das pessoas. Que alívio. E ainda deu para um guacamole.

Feb 6, 2009

sobre o poder das mãos (fim)

A verdade é que nem as vi com olhos de ver, as mãos do osteopata. Estava eu tão concentrada em estar inteira debaixo delas, estas mãos, que nem me lembrei de abrir os olhos. Em troca a camada de cérebro que me serve de pele trabalhava a dois mil à hora. Basta que lhe tocam de certa forma em certos sítios, e hop hop hop lá se põe ela a iradiar mensagens líricas à todo o lado. Um disparate. Não há problema, até é normal, mas hoje o descodificador não queria funcionar. Acabei por dizer barbaridades e estou envergonhada.

Feb 4, 2009

fatiguée mais fleurie

escapar da chuva

No televisor do café imagens estranhas. De perto, pormenores de objectos muito antigos, sinuosos, retorcidos. Não percebo. Achados arqueológicos? Troncos queimados? Cachos de ostras fossilizadas?
Afinal são mãos de pessoas com lepra, reduzidas à coisas, primeiro pela doença, depois pela câmera. O meu olhar cruza o do taberneiro, um calmeirão. Não precisa de mais nada, pega no comando e muda de canal. Desenhos animados.
"Agora ponho isto muitas vezes, mesmo quando estou sozinho. Até com som. No posso mais com o Freeport, nos quatro canais, é isto ou a neve. Aquilo pelo menos tem muita arte. E é bonito. Tou farto de depressões".
Lá fora, a chuva transformou-se em granizo. No ecrã, quatro bébés pinguins vão acampar. O que é mais giro que um pinguim? Um bébé pinguim.

Feb 3, 2009

o dilema do costume

Será que posso (tentar) assassinar um ratinho do qual sei que prefere azeitonas à passas de uva, prova indubitável de juizo?

(Pensando nisto, se o juizo protege do assassínio, é estranho eu ter chegado a esta selecta idade. Talvez seja bom desperdir-me agora.)

Feb 1, 2009

abrigo

Se eu passo o dia a falar português enquanto o mundo em água se desmorona (isto sobretudo à noite com as árvores deitadas desnorteadas o eixo perdido porque ainda o meio-dia ao sol se roçava),
se eu passo o dia a trabalhar a palavra que é de todos em palavras portuguesas dizendo não sou portuguesa isto talvez melhor fica de outra maneira, da tua maneira,
se eu passo o dia nisto que sem ser meu é meu,
em que lingua é que à noite o desalinho que o dia deixou se exprime e sai e corre?

Hoje devia ser, devia, na lingua franca da água louca a bater na casa mal feita. Lingua de chuva, lingua das coisas que tinham peso mas hoje se esquecem para deixar-se arrastar, lingua de vento, lingua escura. Lingua que ninguém quer falar.
Tenho casa, mesmo que mal feita, tecto, mesmo que pinga. Falo e até há luz para dizer o pouco que posso dizer.
Protegida em português enquanto o mundo em água se desmorona.

Jan 29, 2009

há dias onde me podia apaixonar por uma galinha manca.

hymne personnational

"Ma luette, ma gentille luette
je te plumerai la tête, et le bec, et le bec!
ma luette, ma gentille luette..."

etc etc.

oui oui oui le GROS problème de zeroglotte, c'est la minusculité minuscule de sa niche (nichée) écologique... On dit ça, m'en fait, on est tous des mêmes, non? Avec pattes et ailes et luette. (qui se dit UVULA en engrish (un mot mi-oeno mi-gynécologique, a-t-on idée! ) et c'est là bien sûr le grain de sable dérailleur du jour)

Jan 28, 2009

first times

This osteopath began his work today by clasping electrodes to my back and turning the voltage as high "as you can stand". This meant i could feel my muscles twitching and switching with a life of their own, hopping like crazy in electric rhythm. Thus i was left alone for 10 minutes. Alone with somebody's panicking heart grafted to my shoulders (that's how it felt, and that's how my heart was taking it, faster and faster, before I talked him down, can't see anything without wanting the same, the sympathetic bastard) 10 minutes is a long time.
Afterwards came bliss.

Jan 27, 2009

ADN

Não é que descobri, num evento surreal que mais parecia o que imagino ser o aquecimento das dançarinas do Finalmente, que só consigo rebolar as ancas com algum aparato no sentido dos ponteiros dum relógio? No outro não rodam, andam aos tristes solavancos qual pneu furado.
Como é que o meu bisavô Robert não se lembrou desta horrenda consequência quando resolveu ser relojeiro?

Jan 25, 2009

cross-hatching

Absolute shelter and the mail

ok, this is going to be pretty disheveled:
as I already wrote here, the columbian writer and diplomat of swedish descent Léon de Greiff (1895-1976) spoke about Korpilombolo as the "absolute shelter", even if he only visited there shortly, once. He, says Wiki, meant it as a philosophical metaphor.
But if... (short break. it began hailing all of a sudden, i had to run and save my washing) But if you look at one of these world-maps for climate change, like in 40 years or such, when the temperature has risen, the water is up, mass extinction of beasts, plants and humans has occurred, Korpi will be one of the very few places that could still be more or less habitable. Is that why quite a few people disembark on zeroglotte on the "Korpilombolo Project" tag? What are they looking for? Real-estate? A survival group living off cloudberries and dried reindeer?

If you had to invent a mean of communication/information/storage for a energy-crazed civilization living on a planet of finished resources, and working tirelessly at her own doom, what would you come up with? Logically, I mean, in an Darwinian evolutionary way? Survival-of-the-most-likely-to-bring-it-all-to-an-end? You'll invent this beautiful super-effective energy-driven device that's so easy and fun to use that in no time every thought and word and image of that civilization will be stored in it, to the point that many many many things will only exist in the device. So when the energy begins to lack, the people will be cut from their artefacts and...and what? It's just that bit-sized instantly rewarding stuff (any stuff) seems the perfect food for a dying person, cat, sycamore.

But of course the virtuality is what makes me free. A little bit freer.

ok, this was not only disheveled, but plain brooding. and not very...clear.


(Finno-Ugric languages (Italics indicate extinct languages)
Baltic-Finnic : Estonian · Finnish (Ingrian Finnish · Kven · Meänkieli) · Ingrian · Karelian (Ludic · Olonets Karelian) · Livonian · South Estonian (Seto · Võro) · Veps · Votic
Volga-Finnic : Mari · Erzya · Moksha · Merya · Meshcherian · Muromian
Permic : Komi · Komi-Permyak · Udmurt
Sami : Akkla · Inari · Kemi· Kildin · Lule · Northern · Pite · Skolt · Southern · Ter · Ume
Ugric
Hungarian · Khanty · Mansi)

Jan 21, 2009

On the power of hands

Years ago, Emilia worked in a bar for some time. One night, she witnessed a very sweet very drunk bum who'd gotten a gash on his head, and was being tended by a young nurse who happened to be there. As the nurse worked on him, he looked at her, rambling softly about how she had beautiful breasts, how he knew women like to be looked at, how he 'd want to make her one baby, or better : two, so they would never be lonely... if she'd only let him. What could have been harsh crude talk was actually tender, sincere, even respectful. Very vulnerable.
Afterwards, when Emilia asked the nurse how she coped with these things, she said she didn't mind because she had learned that when you touch (as in "put your hands on") very lonely persons, they sometime want to marry you on the spot. That's the effect hands can have, touching.

Sounds terrible. Well, it almost happened to me this afternoon, and I'm not even so lonely these days. During the whole second half-hour of the appointment, I seriously thought of proposing to the unknown osteopath who was kneading my sore back to a raw and happy pulp. Seriously.

(Yesterday, retouching. today, touching. Is there a pattern emerging here???)

Jan 20, 2009

the Intimacy of Strangers (3)

This lady has been living with me for ages. In the eighties in Berlin, one filmmaker-apprentice was earning some money touching up prints in a photo lab that worked for the Bauhaus museum. Some prints that he liked but were too bad to work on (not that you would notice it), he brought home. This one I fell in love with, so much I asked for it. Her steady gaze has been following me ever since, over changes of homes and countries. Time passes, she's immune. She was a mature lady then, she's now something of a child. She's part of my life. I had forgotten her name. If asked, I'd answer she was a textile artist of secondary importance at the Weimarer school. Two days ago, I stumbled on her in the Internet. I stood still, actually shocked, like seeing your half-naked sibling's pic on a dating site.
Marianne Brandt. That's her name. (Which I could have remembered, since the first boy who kissed me was thus called, Brandt. It happened by the fountain at the train station, an awful -if puzzling- disillusion. Which might be the reason.) She was a successful designer, and this is a self portrait. I read this and saw what I hadn't seen in some 25 years: the release mechanism in her left hand. And then I found the following: the whole picture. No idea when it was cut, and who did it. Public privacy. One way to exorcise it.