Aug 4, 2011

Jul 30, 2011

namur campo pequeno

lá fora tudo é novo

Jul 29, 2011

compras feitas

(fruta
jornal
euromilhão)

plantada na esquina do velho que arruma carros como quem dirige um exército, desenhava gente que passa. Se aproximou um calmeirão de amarelo. Quis ver. Viu.
Não me desenha a mim?
Cinco minutos vidas cruzadas e nos despedimos mais contentes, ele e eu.

Jul 25, 2011

la maison voisine tombe en ruine
pagaille de piafs
pour les grappes sures de la tonnelle abandonnée

bon ça suffit ces conneries

je jure ici tout à fait solennellement que je fais une IMMENSE fête le jour où le citronnier est plus grand que moi ( m'arrive aux yeux, là, aujourd'hui)

Jul 23, 2011

today's riches

did you what did you what
did you learn?
this was dark a day but full.
remember

you sent away a man you couldn't love
he wanted to sort your world by his own alphabet
love has to be like a dress or in winter warm wool
it has to fit
this is hard for oversizes and undersizes
love unfitting like too small shoes hurts so much
you stop going anywhere

le chat

pour mieux venir à l'encontre de ta caresse
déployé hors de son centre de gravité
en déséquilibre
enlève ta main il tombe

Jul 21, 2011

limoeiros


eureka
galego
lisboa
lunário
ponderosa
verrugoso
vila franca
vulgar

vulgar é espécie?
será o meu?

Jul 20, 2011

quarta de ventania


manhã de matrecos com moças e mocinhas
peladas de riso
cabelo nos olhos
é o vento correndo da praia vazia 
verde de ondas geladas
bandeira vermelha alertando para o perigo
de sermos arrastadas para America
matreco ao sol tão velho
as bolas negras de sal aos esses entre caganitas de gaivota
não posso ficar na defesa
diz a mais novinha
fico eu

Jul 17, 2011

mas é domingo

triste com ameixas num sábado à tarde

Jul 13, 2011

congère d'été. neige noire

...


três pequenos diospiros me protegem
duros e verdes
não me deixam entrar e me protegem

Jul 10, 2011

cet orange-là

la maison est louée pour quelques jours d'été
au petit matin,  le cul par terre dans le potager, dessiner les fleurs de courgette, épanouies, fragiles, compliquées. 
à midi le soleil les aura flétries.
alors, en faire des beignets ( ne pas oublier d'enlever les pistils).
amis méfiants, puis enchantés.

racines du provisoire, mes miennes.

Jul 5, 2011

ne savoir que voler (ce que je peux dire)

D'habitude c'est toujours les moineaux.
L'oiseau entre par la fenêtre grande ouverte, se cogne contre l'autre, qui est fermée, et se réfugie dans un coin, sous une chaise.
A gestes lents, j'ouvre la deuxième fenêtre, et me rassieds.
D'habitude l'oiseau en un instant reprend ses esprits, et s'envole.
Là rien.
Encore plus lentement, je déplace la chaise qui me cache la bête.
Les ailes déployées, le bec dans l'impasse à l'angle des deux murs, c'est un martinet noir. Arc à fendre le vent, échoué dans la poussière.
L'oeil vif.
J'approche la main. Il soubresaute, encombré de ses ailes, impuissant.
Finie la lenteur.
Vite je l'attrape, une seconde son coeur battant, ses griffes autour de mon doigt.
Vite le jette à sa liberté.
Je n'ai même pas vu son ventre.
je hais mon ignorance et le téléphone

Jul 4, 2011

desde horas
cheiro do meu cheiro
palavras presentes sem que eu saiba
de onde brotaram.

familiaridade terreno amigo
cheiro do meu cheiro
ah. sim.
chair de ma chair

elle est glacée

Jul 1, 2011

floraison tardive

Elle aurait bien voulu recevoir en partage la fragilité qui touche, mais lui était échue celle qui irrite. Et la solitude y attenante. Le jour de ses 64  ans,  elle dissout de ses larmes le will you still need me, will you still feed me? en sucre pervenche qui décore son gâteau d'anniversaire. Suite à quoi la remarque consolatrice de l'une de ses copines lui fait pour la première fois songer que ce qu'elle a toujours considéré comme une malédiction venue d'en-haut était peut-être tout simplement un vilain défaut de fille unique.




(Parfois on écrit sans trop penser au décor et soudain on voit que les choses se passent quelque part, précisemment. Le tea-room des séchages de cours solitaires, le matin.  Appliques en feuillage doré sur papier peint à volutes florales, puits d'amour. Impossible de me souvenir de son nom. Google dit qu'il n'existe plus)

Jun 30, 2011

Jun 29, 2011

Na primeira memória é uma faca de cozinha, 4 dedos de lámina gasta, meia-solta, num cabo ressequido. Uma etiqueta ainda a marca como prova num processo esquecido. Lembra-se de ter pegado nela, pensando um segundo se a levava ou não. Neste tribunal desactivado, quem iria dar pela falta dela?
Entra a segunda memória, a verdadeira : não era faca, era chave de fendas, fininha. Para que a quissesse levar, nesta altura, só podia ser ferramenta. E não levou, por uma espécie de nojo da imaginação. Teria morto alguém, a chave? Entrado entre costelas omoplatas clavículas? Encontrado o parafuso proibido que sustem o edifício?

Isto tudo porque ao acordar havia uma pergunta: Ter na palma da mão uma bala que foi parada por carne viva, o que faz à pessoa cuja mão isto é?

elle aime bien bavarder au réveil

Jun 28, 2011

lentement

partout la poussière sur les choses
évidemment puisque je ne l'enlève pas
(ou si peu là où je touche)
se solidifie sucre oublié
cristal collant ne me quitte plus

Jun 26, 2011

Jun 25, 2011

Jun 24, 2011

le noeud d'herbe

des bouquets de l'épicier.

Jun 22, 2011

há figos que sabem à figo e não é preciso mais nada.
a boca se enche como um olho como um oio
depois há o figo que sabe à figueira à toda a figueira
o rugoso o áspero cheiro

Jun 21, 2011

premier matin du monde (quebra-enguiço velho)

après au café une matrone dont tout aurait pesé lourd et sans charme si ses sourcils dessinés avec une sûre exubérance n'avaient chanté une toute autre chanson.

Jun 19, 2011

Ela, nasce e cresce nos trópicos. Aos trinta, vai trabalhar para o norte da europa. Arranja um quarto numa caserna transformada em alojamentos baratos, longe do centro. Está frio e triste. O quarto. Alguém, um colega, diz: alí atrás há um bosque. Passear nele faz bem. No domingo a seguir, ela vai.  Precisava, diz ela. Mas o bosque, ela diz, ainda chocada, o bosque era de uma árvore só. Ela não sabe o nome mas podemos pensar faia. Faia ou bétula. Um bosque de uma árvore só. Como uma multidão que fosse só de Mários, todos entroncados com as mesmas pernas tortas a sair do calção florido. Ou de Lauras, trança a voar, sempre atrasadas, pobres Lauras.

(no) measures of absence


Jun 18, 2011

como é que nesta cozinha onde vivo há anos de repente nem sei encontrar os fósforos ?

Jun 16, 2011

depois de HOJE É SEMPRE ONTEM

apanhei o último metrô daqui agora.
devolvi as chaves a quem me deu tecto.
e é assim.

Jun 15, 2011


O barulho da chuva no telhado de vidro do Real Gabinete Português de Leitura, bom durante as pesquisas, pior na hora de fechar, quando os funcionários estendem infinitas cobertas de plástico sobre o velho balcão maciço que já ninguém usa, sobre as mesinhas estreitas e pouco cómodas, e que a gente tem de sair. Pela porta aberta vê-se a rua molhada, o trânsito irritadiço das metropoles ao fim do dia.


A rua é rua de sebos. O primeiro me dá guarrida. Deus! Uma estante inteira de dicionários! O Font-Quer das minhas cobiças, mas numa edição porca dos anos oitenta, as suas tão precisas gravuras borradas.


Me ajoelho para as estantes rasteiras. Mais um dicionário de Botánica? Editado em Lisboa pelas Tertúlias Edípicas? Edípicas? Que têm por simbolo a esfinge, a egípcia? Abro, claro, e... quase um ano de trabalho se desmorona. Caquinhos no chão, e lá fora a chuva.
Enfim, ganhei uma esfinge, hão-de se abrir outros caminhos...

a paciência das folhas


Jun 13, 2011

Dia dos namorados na Ataúlfo de Paiva

Desparaísado ainda não quer dizer infernizado. Até há um bom caminho de um para outro, e se cruza lá de tudo, meio-mundo. Um rapaz bem acompanhado, por exemplo, baloiçando uma cesta de gerberas, na nuca uma tatuagem : LOVED.

Jun 12, 2011

chez soi

home is wherever you know where to find the light switch when you get there in the wee hours.

Jun 11, 2011

O amor da morena maldita do Largo do Estácio

"Se alguém quer matar-me de amor
que me mate no Estácio..."
canta Luiz Melodia.
Ontem fui. Ao Estácio. Nunca se sabe.
À caminho,
passei pelas ruinas do Sambodromo
 e aprendi que o Rio até se parece com Shanghai.

No Estácio, não havia amor. Comprei paçoca que comi no metrô.

Jun 10, 2011

on this black and white day
a lady with a spoon in her rear pocket taught me
that you can eat
everything birds eat
but that some of what monkeys eat can kill you.
(this could come handy in a hungry forest)
later I found a dagger in the heart of a tree
a tiny sinowy tree and
a very sharp dagger.
I thought of the knife-thrower's assistant.


later still, night brought color, dark

Jun 7, 2011

414


hier mon premier 

























"La fleur que j’aime? – La sienne- et après, toutes." MP
"What is your favorite flower? - 
Two lips in the dark. "  Dzvinia Orlowsky 
"Que pode uma boca esperar senão outra boca?  Eugénio de Andrade

Jun 2, 2011

labyrinthe de passion distraite


Comment veux-tu que je ne me perde pas, si à côté de ce que je cherche, se trouve ce que je ne cherche pas...

par exemple dans le bulletin de Muséum d'Histoire Naturelle tome XX 1914
État cataleptique chez un jeune crocodilus niloticus Linné

par Mme Phisalix
Un jeune Crocodile (mâle, du poids de 600 grammes, et mesurant 53 centimètres) provenant de l'Oubanghi, entré à la Ménagerie des reptiles du Muséum le 20 mars 1912, et resté normal jusqu'aux premiers jours de janvier 1914, a présenté à ce moment des troubles nerveux, accompagnés de perte de connaissance, qui ont pu momentanément faire croire à la mort subite du sujet.
Les excitations les plus faibles : un mouvement, un bruit léger, un souffle, le geste seul de saisir l'animal suffisaient et réussissaient toujours à provoquer une crise, alors que rien de semblable ne se produisait avec les quatre autres crocodiles de même taille habitant la même cage.
Caractères de la crise : celle-ci se déroule en trois phases, se succédant toujours dans le même ordre:
1º au début, le sujet répond à chaque excitation par un petit cri bref, et un brusque mouvement latéral de la tête, bouche ouverte tournée vers l'observateur. Il semble figé dans cette attitude, mais on peut déterminer la fermeture de la bouche en frôlant, au moyen d'un pinceau, soit le bord des lèvres soit le fond du gosier. En même temps se produisent de petites secousses cloniques de la tête, la paupière supérieure clignote, et la membrane nyctante se rabat sur le globe de l'oeil.
cette phase dure de 45 à 60 secondes
2º Une phase tonique lui succède, où l'animal se raidit un peu; s'il repose sur la face ventrale, la région moyenne du corps se soulève en arc, le menton et la queue reposant sur le sol, le membres étant en demi-extension. L'animal mis sur le dos conserve son attitude en arc et ne touche plus le sol que par une petite surface. (...)
cette phase cataleptique dure de 2 à 5 minutes, mais on peut la prolonger en répétant l'excitation initiale, qui n'a d'ailleurs pas d'autre effet. etc.

Charcot dans l'étang des herpétologues.

Ou alors
toujours on peut cliquer
dans La vie des insectes, de JH Fabre, enthomologiste en famille, l'illustration de ses  excavations à la recherche des nids de minotaure tychée... Dans le trou son fils Paul, "qui lui prête la souplesse de ses reins" à droite sa femme, dont "les yeux ne sont pas de trop" et sous l'époustouflant chapeau à antennes cabbalistiques, malheur, je ne sais pas. Sa fille Paquerette.
albert eckhout, c.1640
(The Chinese say you can recognize spirit-inhabited trees by tickling them. If the tree giggles-wiggles its branches and leaves, as in an unseen breeze, then well, somebody lives there. I don't know how the Amazonian natives feel and if the dancing around the tree from last post is a form of expression or the execution of an order. As a child, I remember, legendary trees were always measured by how many men it took to embrace them. 25 men for that baobab. Come to think of it there was a redwood in my first love's garden, but I only knew of it much much later)

where my body where my brain

"my" table at the library of the Jardim Botânico do Rio de Janeiro


And then, when you read about what these trees 
were (and are) felled for, it's concrete-casing or fence-posts. 

Martius, viagem no Brasil

ontem sonhei com uma floresta onde os intervalos entre troncos tinham sentido, tinham leitura.
passear era perceber.


Jun 1, 2011

jardim botánico

as imensas corolas de aristolochia gigantea caem moles no chão como os panos sujos dum bordel vegetal (passa um bando de freiras)
entrando na lanchonete debaixo das árvores  faço o sucesso da minha vida: uma turma inteira de adolescentes bonitões sentados num banco corrido vira a cabeça para me ver passar. Não todos ao mesmo tempo, mas um depois do outro,  nuca rapada vira perfil curioso, parece coreografia, parece music-hall. O que admiram são as minhas calças de palhaço.
 Cinco americanas grávidas acompanhadas por 5 crianças quase bébés falam dos empregos dos maridos, enquanto 8 moscas-vespas de ar perigoso cruzam em volta da minha água.
O gato da casa, normal-as-riscas apesar da morada exótica instala-se no meu colo com hábito milenário. E agora que faço? Cheira absurdamente ao café grego da Lilli.