Jul 29, 2014

never lose again

stick a tiny plastic square to anything
and track it with your device,
19 dollars aren't much
for a tiny square
it might be too big for your glasses
but your keys
your cat
your bag
you daughter's boomerang
your lover's car
track it
track it down
always know
19 dollars
stick it now

Jul 15, 2014

she lived on railroad street

under her guardianship, the museum introduced a policy of free entrance on rainy days


Jul 14, 2014

eu vi ...

"eu vi o cego preso 
na gaiola da visão"      


um domingo na relva
uma canção de Tom Zé

Jul 10, 2014

bola pública

inglaterra/italia no parque eduardo vii
holanda/argentina no intendente

Jul 9, 2014

the flying bones (anyone can get)



- elbow of a 12 years old boy dead of tuberculosis before the xiv century
- pic: Ralph Eugen Meatyard

Jul 8, 2014

puisqu'elle est lente

autant y aller lentement

- mais.... très lentement?
- ben ça dépend. Assez, je pense. Assez lentement. Elle va vraiment pas vite. 
- mais...  sûrement?
- ben ça dépend aussi. Assez sûrement, mais pas tant. Pas autant que lentement.





May 21, 2014

j'aime bien que les lunettes soient des spectacles.
les miennes des fois oui,

Apr 28, 2014

CLOSED

until at least May 15.

Apr 27, 2014

Histoire naturelle des animaux sans vertèbres

il existe un bestiolon, une pieuvre à pattes minces toute zébrée de blanc, qui s'appelle en vrai et en latin Wunderpus photogenicus. Comme son nom l'indique, on ne l'a cataloguée qu'avant-hier, dans les eaux côtières de la Malaisie, je crois. Mais Wunderpus, avec un nom pareil, quelle super héroïne on pourrait faire naître...

Apr 25, 2014

ontem a noite

no Largo do Carmo

Apr 24, 2014

top mollusque!

De la collection du mort recueillir quelques vieilles coquilles rongées, réduites presque à leur spirale, simple expression d'éternité. Les envoyer à une copine biologiste qui travaille dans les greniers d'un musée traversé d'enfants. Qui elle les fait parvenir à un mathématicien à la retraite aussi patient que féru de coquillages. Et voilà sur ma table une petite liste entrecoupée de points d'interrogation précautionneux ( mes fragments sont vraiment des fragments). Six ou sept noms d'espèce, leurs provenances. Atlantique Nord, Méditerranée, Afrique du Sud.
Les plages d'un homme.
Il aimait nager.

Apr 21, 2014

para o caderno novo


 (31 cêntimos de cara pau)

Apr 19, 2014




leonides 1833
Sabine Pearlman

Apr 18, 2014

"But memory is never a precise duplicate of the original.."

quelqu'un écoute le beau danube bleu en boucle au bord du tage
qui est plutôt marronnasse.






title from here

Apr 16, 2014

todo dia sim todo dia não

a pequena superstição,
o jogo com a cor do cão

Apr 15, 2014

a saudade é de todos


calor e domingo na rua toda janelas abertas
arejar armários e privacidades
de repente resvala desvala incha
a música dos vizinhos
engorda enchente
não tarda cantam
rapazes e raparigas músicas populares
a saudade eslava enche a rua portuguesa
aparecem moças saudáveis empoleiradas em carrinhas de feno
camponeses de propaganda
e exilados na sacalina do tchekhov
mas talvez seja 
o largo da independência



...

Apr 14, 2014


sentia as ideias enrolar-se nas bordas como pétalas murchas






...

the setting or the weather


"Then there is what Shklovsky calls the “incomplete” ending, the sort of open structure that doesn’t fully tell us how things work out. Chekhov and Maupassant are Shklovsky’s examples. In such instances, he points out, our cue for conclusion is often a description of the setting or the weather. In a way, these inconclusive endings acknowledge a fact of art: all endings are equally conventional, pieces of high artifice. None captures real life, which is absolutely endless in a way a text can’t be. Individuals die, but human life continues, and fate is essentially indefinite." David Bordwell

Apr 11, 2014

à minuit, petit bruit

le luxe quotidien de la clé qui tourne dans la serrure  et dit: tu es chez toi.

Apr 9, 2014

São Pedro de Alcãntara.

o mesmo lápis laranja

Apr 7, 2014

proteger, prevenir (aprender)

perdi o meu caderno de desenhos. estava quase quase cheio, a memória visual de 3 meses de vida
(no próximo ponho os meus contactos.
pois.)






...

Apr 1, 2014

chênes, ginkgo, jacarandas

indifférentes au déluge mes forêts se déployent
protégées
sous les frondaisons dégoulinantes
les vieilles attendent l'insémination par l'éclair

Mar 31, 2014

v



nobody lies forever






...

Mar 26, 2014

ocorreu numa quarta

o primeiro grilo do ano
a repetição da pergunta pelo sexo das cores

Mar 24, 2014

safar-se no algarve 1: empreendedorismo



"cada vez mais o turista é um turista senior. E naquilo que não é turista senior, tem-se verificado um decrescimento à nível do dispêndio" diz o senhor untuoso na esplanada. O futuro: residências artísticas para a terceira idade. Por exemplo de agricultura criativa, que é o nome que ele dá a plantação de ervas aromáticas.

Mar 21, 2014

voyageurs

le grondement d'un train qui passe
très long dans le lointain
c'est toi qui respires

des wagons s'entrechoquent
dans ton souffle
et quand tu dis mon nom
j'entends celui d'une gare

Mar 20, 2014

esboço de esboço (abelharuco)

- Achavas que me enganavas, Martim? Tu és o único que usa risco ao lado...

Mar 16, 2014

Quoi? Dimanche.

la nuit vient de se refermer. la lune grosse roule encore derrière l'immeuble. la soupe sent la soupe, elle est épaisse et lente. dans un verre à moutarde, un brin de lupin blanc - qui est jaune - porte la responsabilité de tout mon printemps. il ne s'en tire pas mal.

Mar 13, 2014

sempre do zero


"I'm about unimportant things"


says Adam in Night and the City
(he gets the girl)

Mar 10, 2014

la philosophie du pichet

l'humain:
moins de gènes qu'un grain de raisin!








...



hier le poète sénile
hurlait au printemps sous la pluie
ce soir, l'aubépine embaume









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Mar 3, 2014

soudain

elle se souvient de ne pas avoir peur de plonger de dos.

Feb 28, 2014

está mal para o carnaval

no café onde o nevoeiro entra pelas portas abertas um miúdo de olhos brilhantes bigode encaracolado traço seguro no lábio um miúdo fala sem niguém querer saber o meu bigode é preto mas o cabelo castanho o bigode disseram-me cresce da cor do cabelo mas é bonito então deixei
A avó embevecida finge-se sem paciência
A minha mãe tem muito jeito para desenhar bigodes. 
A tua mãe? só se for por telefone! se riem as mulheres da mesa.  O miúdo ri com elas. A mãe longe mas o bigode. Hoje é dia de bigode, a professora disse que se podia.
No fundo do café onde o nevoeiro, um velho olha pela janela.
Está mal para o carnaval, mas está bom para as favas.

Feb 27, 2014

l'ennui du chaud





words everywhere no time to draw

Feb 26, 2014

paupières closes
le roux des roses
danse



des conneries du rien du tout les paupières oui le soleil froid même la danse oui mais tout ça simplement pour écrire pour écrire pour entendre le roux des roses quand elles sont si rose les roses qu'on voit déjà la fanure le rose qui tranche qui caille non cailler c'est acide qui chauffe qui se consume voilà qui se consume le rose vire au roux le roux des roses. voilà. 










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Feb 22, 2014

desenhar caras em batatas

e elas gostarem
















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transcrever entrevistas

a pergunta. e depois a maravilhosa diferença entre os que pensam em voz alta,  e os que pensam em silêncio.





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Feb 20, 2014

trees and other landscape pleasures

give great care to the selection and emphasis of essentials
while it's raining rain on a rainy morning, exercises drafted long before i was born. rainy peace, maybe.

Feb 18, 2014

oh raios

a internet inteirinha não me explica donde vem a palavra bitrécula. O sentido, vá lá, acabei por encontrar.

Feb 16, 2014

no Cabo de Todos os Ventos

ouvir o rolar dos seixos dentro do grande quebrar das ondas.






uma coisa é quase nada, e quase nada parece. uma coisa é outra coisa que não aparece. isto acontece

Feb 14, 2014

depois da tempestade


apanhar camélias caídas


(e mesmo nos rosas. aprender coragem)

Feb 13, 2014


sous ce regard dans ce regard sel inversé elle cicatrise













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Feb 10, 2014

late blush

a última malagueta enrubresceu
um esforço tão tardio
merece jantar bem regado

Feb 9, 2014

Tape. Bat. Frappe fustige fouette.
(ça vient de fagus le hêtre, fouette, en fait)
Ce soir c'est le vent. Le vent aveugle. Il lève aussi de si grandes vagues et close je ne les regarde pas, c'est dommage et normal comme le temps qui passe. Les choix.  Mes fenêtres donnent ailleurs, sur une autre ville dont la rue droite est tortueuse. La barraque craque se plaint prend l'eau. Partout des auréoles.
L'eau avec le vent a fait le monde et le refait.
Dans l'autre ville la vieille emmène ses petits-enfants acheter le cabri pour la fête. Il ne  pleut pas encore.

Feb 8, 2014

(mulher)

Mon dicionário do tradutor (Faro 2003) a d'étonnantes (res)sources:


Feb 7, 2014

A  senhora à minha frente na fila da caixa debruça-se sobre o meu pão-de-ló com um ar tão desconfiado que tenho de perguntar. Ela, peremptória: este não tem ló.  Eu: Ah sim? Mas como faz para ver, gostava de aprender. Silêncio. Cinco vezes eu pergunto, quatro vezes ela encolhe os ombros como quem sabe um segredo difícil de partilhar. Depois: é a crosta, veja aqui, tem de estalar um pouco, o ló vê-se pela fresta. Se não estala, está cozido demais, e não tem ló.
Ló? Ok, o creme, o recheio, aquela coisa que faz o pão-de-ló ser o que é. Não consigo largar a senhora. Disse que sabia como é que se faz, pode explicar? Posso. Então diga. Nem pestaneja: 24 gemas 6 ovos 800 gramas de açucar 6 punhados de farinha.
Faz muitos? Fazia. Aprendi com a avó do meu marido. Agora tem a receita mas falta o segredo.
Raios.
Já pagamos as nossas compras, não temos mais desculpa para ficar ali na palheta... Mas agora é a senhora que quer contar. Duas mulheres são precisas, uma só cansa-se. Em volta do alguidar grande, a colher de pau dá meia-volta na mão de uma, outra meia-volta na mão da outra. Tem de se bater pelo menos 1 hora. (Hoje em dia, com batedeira boa, 20 minutos chegam.) Sempre no mesmo sentido, hein! Sempre no mesmo sentido. Depois quando o açucar está em ponto de fita (Sabe o que é o ponto de fita? Não sabe? Quando atirado para a parede do alguidar, o açucar cai em fitinhas) depois é a farinha, polvilhada. Quem punha a farinha era a avó do meu marido.
Olhos a brilhar, o prazer a memória os tempos idos. O marido já morreu e a avó dele nem se fala. De repente uma sombra: não posso ensinar tudo. Nunca consegui tirá-los do tacho. São precisas duas tábuas, rapidinho, vira-se o tacho para uma, depois de imediato para a outra. Os meus sempre se partiram.
Não sei ensinar esta parte.

Mas o resto, sim.
Obrigada.

Feb 6, 2014

vocabulário minguante

Desde que tem o cachorro o vizinho só repete não, não não não! Mais alto mais baixo mais alto ainda em todas as nuances da autoridade.  
Não! 
Mas o não dele não funciona, parece. Até cão precisa de sim. 








...

Feb 5, 2014

um florescer tão direito

(entre o cheiro e o desenho a boca foi mordida)

Feb 3, 2014

3 de fevereiro

a sala cheira a narciso os dias estão um pouco um nada mais longos a última luz por cima dos telhados tem o amarelo deles,
os narcisos que perfumam a sala entre paz e veneno









...

Jan 31, 2014

no entanto, quem por aqui anda é um casal de rabiruivos-negro


(ou a mania dos estrangeiros altos despenteados e com cara de quem pode)

Jan 29, 2014

águas desamparadas

Quantas vieram? Quantas quiseram este lugar onde ficaste? Poucas. Fomos duas. Cada palavra cada palavra aí que digo nem sei de onde vem sei que o eu cérebro se desfaz em desfazamento, se desfaz que dizer? Nem olio.

Jan 24, 2014

..

ils étaient deux: uns, et ennemis.







...

Jan 23, 2014

memória


Hotel do Norte. Severo. Mas há lareira, numa tentativa de conforto. É aqui que funciona o wifi. Que dizer? Somos três. (Três de mac) Dois homens mais novos que eu, um português que bebe aguardente (cheira bem) e um digamos francês de bochecha amarga. Silêncio. A lareira já não existe como sítio em volta de que a humanidade... ou talvez sim. A humanidade hoje ainda conversa em volta da lareira, mas apenas com quem não está.

brasa velha

estrela suada

Jan 22, 2014

histoire de voir, de savoir, d'oublier l'oronge, mais non c'est l'orage

Ça c'est avant.

Ça c'est après:
Les heures de travail, est-ce qu'elles valent vraiment la peine?

Jan 20, 2014

numa manhã de pegas azuis

só para quem quiser clicar ( papel é como calçado: as vezes seria mesmo preciso que aguente água. e aqui não...)

Jan 19, 2014

cardos e cardinhos



perto de uma vila onde as portas têm a altura do homem da casa

Jan 15, 2014

oiseaux

Il fait noir nuit noire encore quand elle sort. Le pont sur l'eau est parsemé de riz très blanc. Les mariages de minuit sont rares, il doit s'agir d'un accident. Sur la pile d'amarrage où d'habitude les cygnes, aujourd'hui dorment des oies.
Plus tard une volée de corneilles l'accueille au village glacé. Le premier soleil attrape le sommet des collines. Il vient d'y neiger, ça attire l'oeil.  Le bottier a déjà ouvert sa boutique. Depuis la rue, on voit trois recrues aux joues roses qui attendent en chaussettes.
Au bistrot, de jeunes ouvriers finissent leur dose de Nutella à la cuillère. Le café la réchauffe.

Jan 10, 2014

beaucoup

Certains avaient été créés pour tuer. A l'époque, on savait lesquels. Cette terrible prédestination le touchait si profond qu'il avait dédié sa vie à les en protéger.  Plus ils étaient grands, puissants, naturellement féroces, plus il les aimait. A force d'amour il pensait pouvoir les mettre à l'abri d'eux-même, de cette nature assassine dont il s'évertuait à ce qu'ils ne prennent jamais conscience.

Jan 8, 2014

digression

Un détour n'est un détour que si on finit par arriver quelque part. Sinon c'est une maladie qui tue non le corps mais le temps de ce corps. Tuer le temps de son propre corps est un crime.
Ainsi en délibéra son propre tribunal qui s'habille peu de noir. Il ajouta qu'il y a parfois de la joie dans le crime, mais que cela ne doit pas constituer une circonstance atténuante.

Jan 7, 2014

Jan 5, 2014

fighting entropy barehanded

with a needle and the finest elastic thread, to be honest.
(or : how to feel heroic mending underwear.)


..

Jan 4, 2014

Jan 3, 2014

30 centímetros de chuva que gostava tanto que fossem de neve


encore une robe bleue

le chat sur son ventre le ventre du chat sur son ventre elle n'a jamais vu de nombril de chat pourtant elle en a vu naître une fois sous la table de ping-pong une fois dans la grange où il était interdit d'aller trop de dangers mais elle y allait quand même ces dangers-là en fin de compte n'étaient pas les plus dangereux la fin du compte parfois par contre l'est assez, dangereuse, et il vaut mieux ne pas trop s'en approcher ce chat ne sait pas ronronner c'est dommage

Dec 31, 2013

queremos fogos e artifícios

não há cá nada que arda
alguém diz: e os livros?

Dec 30, 2013

afloat in the human night

tous vite vite on forge encore un bouclier
tisse les protections paye les assurances
vite vite se prépare choisit un geste
oublie un geste
jamais trop tard pour oublier ça non

Dec 29, 2013

5º dia de greve dos recolhedores de lixo

faltam 13.

(ser um deles, passear pela cidade. sentir um pouco de vergonha talvez mas talvez um imenso orgulho: ser alguém cujo trabalho - duro, mal pago, desprezado- é a este ponto necessário aos outros. )


edit 30.12.
nada disso. pássaro dos piores augúrios. passaram hoje um pouco antes do meio-dia, e a rua voltou ao normal.